quinta-feira, 05 mar. 2026

A importância de ter um Presidente à altura das circunstâncias

Um Governo que falha numa calamidade, é uma instituição que não está a funcionar. Aí cabe ao PR intervir. Talvez os portugueses estejam dispostos a pensar duas vezes qual o seu voto de domingo. Não há bons modelos que resistam a más pessoas

O momento Maria Antonieta do regime coube a Manuel Castro e Almeida. O «agora é suposto terem tido o ordenado do mês passado» do ministro corresponde, na perfeição, ao ‘não têm pão? Então comam brioches’ da rainha. A mesma cegueira e a mesma negação da realidade.

Uma realidade que se está a impor de forma cruel e que veio pôr a nu a realidade para que André Ventura e o Chega não se têm cansado de alertar: salvo raros momentos – com Sá Carneiro, Passos Coelho e, de forma incipiente pelo pouco tempo que lhe foi dado por Jorge Sampaio, Santana Lopes – PS e PSD não têm governado para os portugueses mas, apenas, para os seus dois partidos. Todas as decisões no que respeita a nomeações, decisões, legislação produzida, foram tomadas tendo em conta não o bem comum, mas o bem e os interesses dos respetivos partidos e do seu pessoal político. Ser ministro era e é, uma sinecura, não uma missão. Se um dia se analisassem minuciosamente todos os grandes contratos onde o Estado interveio e caso não existisse o salvífico instituto da prescrição, Évora adquiriria muitos novos habitantes forçados. Um exemplo? Já sem falar nas famosas parcerias rodoviárias público-privadas, temos o não mesmo famoso e sempre atual SIRESP: como é possível que se tenham torrado 700 milhões de euros numa coisa que não funciona? Como é possível que nunca se tenha investigado, a fundo, como isto aconteceu? Não vale a pena falar muito mais sobre todas estas coisas, o imenso falhanço de todo o sistema neste caso está bem patente aos nossos olhos: um país afogado em telhas partidas, ferro retorcido, água e lama, centenas de milhar de mortos-vivos entregues apenas a si próprios e às suas fracas forças. Quanto ao Estado, sempre à porta para cobrar, ninguém o viu quando havia que retribuir algo do que cobrou.

O que falhou? Tudo. A começar pelo Governo que provou não existir e por um PR a passear-se por Itália enquanto o país estava à deriva.

Para governar, se governar é apenas estar ali a gerir a imprestável máquina herdada, mais os interesses próprios e os do partido, para isso há resmas, palettes de pessoas preparadas. Qualquer um dos milhares de apparatchiks dos aparelhos partidários serve para isso. Qualquer um deles sabe afivelar aquilo que julga ser a máscara, a pose e o linguarejar empolado e rasteiro, de ‘homem de Estado’. Mas governar é muito mais do que aquilo e do que gerir bastidores, focus groups e marketing político. Governar não é gerir o quotidiano. Governar é, no essencial, prever o que pode correr mal e decidir, ao segundo, quando tudo corre mal tendo a coragem pessoal e política para tomar decisões correndo o risco de errar.

E agora, uma questão vital: o Presidente da República não governa, mas cabe-lhe zelar pelo regular funcionamento das instituições. O Governo é uma dessas instituições. E um Governo que falha numa calamidade, é uma instituição que não está a funcionar. Aí cabe ao PR intervir. Talvez os portugueses estejam dispostos a pensar duas vezes qual o seu voto de domingo. Neste absoluto desastre, perante a ineficácia do Governo, quem gostariam de ter hoje em Belém: esse exemplar profissional de carreira do PS, dialogante e de linguagem redonda que é o estimável Dr. Seguro, ou o combativo, por vezes agressivo, incómodo, mas sempre eficaz, André Ventura? Por mim, como é óbvio, escolho André Ventura.

Vice-presidente da Assembleia da República

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