quinta-feira, 11 jun. 2026

Parques de Recolha de Biomassa: Uma Emergência Nacional

Regista-se com crescente preocupação que, mais de três meses depois das calamidades de 28 de Janeiro, nada de concreto se está a passar nas regiões do Interior Norte e Centro, de forma a enfrentar a verdadeira emergência nacional que o presente mês de Maio já anuncia.

Uma das consequências mais graves das tempestades do passado dia 28 de Janeiro, foi a quantidade de árvores derrubadas, pelo que milhões de toneladas de biomassa se encontram atualmente espalhadas por estes territórios.

Promover a rápida recolha desta biomassa é da maior urgência pois começa agora a época de incêndios e, sempre que mãos criminosas provoquem ignições, esta biomassa irá promover a respetiva propagação.

Impõe-se assim a rápida construção de Parques de Recolha de Biomassa, onde os proprietários possam ser compensados pelas despesas de corte e transporte da biomassa que aí colocam.

Estes Parques têm de ser entrepostos situados nos concelhos de maior densidade florestal, que irão transformar uma ameaça de destruição, numa enorme oportunidade económica, quer para a fileira industrial a jusante, quer para o respetivo aproveitamento energético.

Especialmente nestes tempos de escassez de energia, em que esta biomassa é uma excelente oportunidade para abastecer Centrais Elétricas, e para substituir o butano e o gás natural como fonte de calor doméstico e industrial.

Regista-se com crescente preocupação que, mais de três meses depois das calamidades de 28 de Janeiro, nada de concreto se está a passar nas regiões do Interior Norte e Centro, de forma a enfrentar a verdadeira emergência nacional que o presente mês de Maio já anuncia.

Lamentavelmente, os discursos dos responsáveis políticos que se vão ouvindo sobre este tema não passam de ‘mais do mesmo’, com apelos insistentes aos proprietários para que ‘limpem os terrenos’, esquecendo-se da urgência de criar um sistema logístico de recolha e utilização de biomassa, de que os Parques da Recolha de Biomassa são ‘o primeiro elo da cadeia’.

Cortar árvores ou arbustos para os deixar no terreno é inclusivamente contraproducente, porque a biomassa cortada seca mais rapidamente no Verão do que se estivesse em ciclo vegetativo, pelo que se obrigam os massacrados proprietários agro-florestais do minifúndio a gastar mais dinheiro, apenas para que a ameaça de morte e destruição aumente ainda mais!

A esmagadora maioria das ignições rurais são provenientes de ações criminosas ou de grosseira negligência.

Por isso é urgente agravar a moldura penal para crimes de fogo posto rural, para que não continue a ser possível que, condenados em tribunal por estes crimes, saiam depois em liberdade porque lhes foi aplicada uma pena suspensa.

É também indispensável que nos dias de maior calor, aumente a vigilância nas zonas de maior risco para prevenir ações criminosas, recorrendo para isso às forças policiais, e também às forças armadas.

Nos Concelhos de elevada densidade florestal, se as autarquias não designarem locais adequados para se colocar a biomassa excedentária, onde é que os pequenos proprietários a vão colocar?

Daqui surge a tentação das queimadas, que é um risco terrível nos meses quentes, mas que por vezes é fruto do desespero das populações que se querem ‘ver livres’ da biomassa.

Esta grave situação exige uma firme vontade política dos Ministros da Economia e Coesão Territorial, do Ambiente e Energia e da Agricultura, em coordenação com a Unidade de Missão criada para recuperar o País das recentes tempestades, para mobilizar as verbas disponíveis no Fundo Ambiental para construir estes Parques com a maior urgência.

Para os municípios envolvidos, estes Parques permitem estruturar uma verdadeira ‘economia circular de carbono’ auto-sustentável, que reduza drasticamente a propagação dos incêndios e garanta o cumprimento das metas de descarbonização que constam do PNEC.

Neste ano de 2026 estamos perante uma verdadeira emergência nacional de que os poderes públicos parecem estar alheados, apesar do trauma causado pelas trágicas mortes de 2017!

Estamos literalmente nos últimos dias para agir no terreno com medidas concretas.

O que não pode acontecer é que o País seja confrontado, em 2026, com a repetição das tragédias de 2017, transmitidas de novo nos telejornais sem que nada de estruturante se tenha, entretanto, feito para o evitar.

Não basta fazer discursos bonitos sobre ‘o reforço da coesão territorial’ e ‘a solidariedade com as populações rurais do interior’ quando os dramas já destruíram a vida e o património das pessoas.

O que é preciso é agir no terreno e o momento é agora porque Portugal está perante uma verdadeira Emergência Nacional.

Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, Membro do Conselho de ‘Indústria e Energia’ da SEDES