Política do penso rápido…

A segurança não se improvisa, constrói-se e planeia-se.

A forma de atuação do Governo continua a revelar uma visão de vistas curtas, pelo menos no que diz respeito a Portugal e aos portugueses. Perante problemas estruturais, a resposta insiste em soluções imediatistas e pouco sustentadas, que mais não são do que paliativos para falhas que se arrastam no tempo.

É particularmente curiosa a forma incisiva, nada técnica e pouco refletida, como o Governo tem vindo a intervir em matérias tão sensíveis como a segurança aeroportuária e o controlo de fronteiras. Em vez de assumir responsabilidades, planear a médio e longo prazo e culpar os responsáveis, toma decisões avulsas, ao sabor do soundbyte, destinadas a mitigar consequências para as quais tem responsabilidades, sem querer enfrentar as causas do problema.

Os tempos de controlo são demasiado longos?!? Imagino o Governo a alertar a empresa a NAV para reduzir os intervalos entre aterragem e descolagem de aviões, em nome da … ANA e de Portugal? Portugal deveria aparecer primeiro, mas … serve apenas para expor o absurdo de soluções de algibeira que ignoram regras técnicas elementares e, sobretudo, a Segurança Nacional.

Não seria tempo para pensar no emaranhado de atores no sistema de segurança interna? Que mais do que complementares são confusos? E no encerramento de esquadras que apenas consomem recursos e nada produzem, muito menos segurança? E na descentralização de serviços da PSP? Seria tempo, mas o carro propagandístico e ‘112’ do Governo prefere acumular quilómetros de estrada e de tempos de antena em que tudo promete e tudo estuda, mas nada resolve!

A segurança não pode ser mercantilizada e qualquer tentativa de a subordinar a interesses políticos ou empresariais representa um risco sério. Espero que esse risco não se materialize em problemas que nenhuma política do ‘penso rápido’ conseguirá resolver.

A segurança não se improvisa, constrói-se e planeia-se.

Presidente do SNOP – Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia