sexta-feira, 07 ago. 2026

O ADN de Portugal está na bandeira

A nossa bandeira garante o que somos: uma Nação que não trai.

Tomou posse ontem o Comissário-Geral para as comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal, Paulo Portas. Uma escolha extraordinária e certa para garantir o devido valor da nossa Nação. Contamos, por isso, agora, com pelo menos 17 ou 53 anos de intensas comemorações (considerando 1143 ou 1179, como eu, como Democrata Cristão, considero).

Por isso, valerá a pena começarmos este caminho a reflectir sobre o que somos, porque somos e o que queremos ser.

Importa registar que Portugal nasceu branco e azul. E por esta ordem.

Depois, em 1185, D. Sancho I fixou as armas: cinco Quinas azuis em cruz, cada uma com cinco chagas. As chagas de Cristo, que a tradição Nacional sempre leu como os dinheiros que Judas aceitou para trair Jesus.

Enquanto outros expõem poder através de águias, leões, coroas, espadas, estrelas e territórios conquistados, o que expomos e expusemos nós? E o que quis Portugal garantir com a simbologia da sua bandeira?

Confiança. A garantia de que somos uma Pátria e um Povo que não trai.

Isto é ser Portugal. Está no nosso ADN, venha quem vier.

Contudo, será que seremos, ainda, a Nação que cravou este princípio no maior símbolo Nacional?

Espero que sim.

Apesar das muitas mudanças, e da substituição em 1911 das cores da Nação pelas cores de um partido que hoje já nem existe, a verdade é que mantivemos sempre esta mensagem implícita há mais de 841 anos. Bem que tentaram, mas por alguma razão mantiveram o essencial: os princípios e os valores da Nação.

Passados, agora, 115 anos e perante os desafios que temos pela frente, talvez seja o momento de voltarmos a pensar e a debater a bandeira, para garantir os valores e os princípios que ainda nos unem.

Talvez seja a oportunidade de voltarmos à base e ao que sempre fomos.

Por isso, desafio o nosso Comissário-Geral Paulo Portas (que espero que conte também com o amigo e companheiro José Ribeiro e Castro que tanto tem feito por esta causa) a reflectir e a pensar também nesta ideia. Repensar a bandeira que nos une e que deve sempre unir, como em 2004.

E talvez seja por aqui que as comemorações devam começar. Não pelos programas, nem pelos eventos, nem pelas efemérides. Por nos voltarmos a centrar no que somos, na bandeira e no próprio nome. Porque celebrar novecentos anos sem sabermos o que está desenhado na nossa bandeira seria celebrar o quê?

Uma bandeira não pode ser de uma facção, de um momento nem de um regime, como se tentou fazer em 1911. Uma bandeira tem de reflectir permanentemente os valores e os princípios de uma Pátria e de uma Nação como Portugal.

E o mesmo vale para o nome. Portugal é uma Nação com quase novecentos anos e chama-se hoje pelo nome de um regime com cento e quinze. Nem Reino, nem República: Portugal. Como a Irlanda se chama Irlanda e a Hungria se chama Hungria. O regime define-se na Constituição, não no nome da Pátria.

Portugal é Portugal. Quanto ao regime, as gerações vindouras souberam, sabem e saberão o que fazer.

Em 2004 o País uniu-se à bandeira. O Euro e a selecção de futebol foram o pretexto. Acabou por ser muito mais do que futebol. Foi uma união em prol da fé que todos temos em Portugal. Foi a demonstração de que somos uma Pátria una e que acredita que pode ir ainda mais longe. Foi a forma de demonstrarmos ao Mundo o quanto acreditamos e somos Portugal.

Na altura, foi com muito orgulho, honra e responsabilidade que fiz parte deste momento e movimento, por intermédio e com o enorme entusiasmo do professor Marcelo Rebelo de Sousa que garantiu que a ideia seria devidamente implementada.

Todos assistimos ao que uma bandeira foi e é capaz de fazer, ao que nos emocionou e uniu.

E a união obriga a confiança.

Por isso, saibamos o que fomos e o que somos. Saibamos o que sempre prometemos e a forma como nos apresentámos e apresentamos ao Mundo, especialmente agora, neste Mundo novo, nesta nova e futura Europa que precisa de se reerguer, e nestes novos desafios que teremos pela frente, como a presença no Conselho de Segurança da ONU.

Saibamos que nascemos a prometer apenas uma coisa: Confiança. E que podem confiar em nós porque não traímos.

Foi isso que ousámos inscrever na nossa bandeira há mais de 841 anos.

Que nunca nos esqueçamos disso.

Que saibamos viver, enquanto Portugueses, com este princípio e valor basilar todos os dias.

Porque isso é ser Português.

Porque ser de confiança é ser Portugal.

PS: muito obrigado ao meu amigo João Gouveia Osório, que me ajudou a perceber ainda melhor a nossa bandeira.