segunda-feira, 09 fev. 2026

A Direita desunida será sempre vencida

No próximo domingo conheceremos os resultados de uma eleição importante para Portugal. Mas será apenas mais uma eleição ou um momento de clarificação política que o País tem vindo a adiar?

Quer queiramos quer não, Portugal virou maioritariamente à direita, apesar de a maioria dos media e comentadores persistir em ignorar essa realidade. Isso reflecte-se nos resultados eleitorais recentes, no discurso público e no sentimento dominante fora dos aparelhos partidários. Ainda assim, essa maioria social e eleitoral não se traduz em poder político estável. Porquê?

Será porque a direita, ou a chamada direita, continua dividida? Será porque a actual AD, sob a condução política de Luís Montenegro e Hugo Soares, insiste numa estratégia que fragmenta em vez de unir? E será essa divisão suficiente para garantir a Presidência da República aos socialistas, apesar de já não representarem a maioria do País?

Vale a pena colocar uma pergunta incómoda. Como é possível que um Partido Socialista politicamente desgastado, e praticamente exaurido após o ciclo de António Costa, encontre espaço para regressar ao centro do jogo político? Não será essa possibilidade o resultado directo de erros estratégicos cometidos no campo do centro-direita?

O apoio quase automático da AD a Marques Mendes levanta, por isso, questões legítimas. Tratou-se de uma escolha pensada para responder à vontade dos portugueses ou o resultado de equilíbrios internos, ajustes de conveniência e compromissos herdados? Essa decisão uniu a direita ou aprofundou a sua divisão?

Se houver uma segunda volta presidencial, o dilema tornar-se-á inevitável. E todas as opções comportam consequências políticas relevantes.

Se a AD optar por apoiar António José Seguro, conseguirá manter o seu eleitorado de centro-direita e direita ou arrisca-se a perdê-lo, abrindo caminho a um Governo liderado pelo Chega?

Se a escolha recair sobre André Ventura, estará a AD preparada para perder o apoio parlamentar do Partido Socialista e ficar politicamente refém do Chega?

E, ainda que menos provável, se a opção for João Cotrim de Figueiredo, não ficará a AD ainda mais isolada no plano parlamentar? Ou, se optar pelo Almirante Gouveia e Melo, não será essa a admissão clara de um erro estratégico inicial, com custos políticos acrescidos?

Estas perguntas não são exercícios teóricos. Resultam de uma estratégia que parece ter colocado todas as fichas num único candidato, com elevada probabilidade de não chegar à fase decisiva.

Coloca-se então a questão central. Se André Ventura e/ou Cotrim garantirem a segunda volta, que caminho seguirá a AD liderada por Montenegro e Hugo Soares? Um caminho que corresponda à vontade do País ou apenas à lógica dos aparelhos e interesses partidários?

Uma coisa parece clara. Portugal quer que o centro-direita e a direita liderem o País. No Governo, no Parlamento e também, agora, em Belém. E convém dizê-lo sem medo. Ao contrário do que sucede noutros espectros políticos, este espaço não é marcado por extremismos, mas por uma pluralidade democrática legítima.

A questão é saber se os interesses partidários, e em particular as opções da actual liderança da AD, continuarão a sobrepor-se à vontade maioritária dos portugueses.

A história política é clara. Uma direita desunida será sempre vencida.

Portugal e os portugueses merecem união, clareza e uma mudança que corresponda à vontade da maioria.

A verdadeira questão é saber se a actual liderança estará à altura desse momento.

Tal como bem dizia Padre António Vieira, “nenhum poder se sustenta quando já não serve; e quando só se sustenta por si, está condenado”.

Empresário e gestor, investigador em Estratégia Nacional