Apesar de uma conjuntura internacional favorável, o Brasil mais uma vez pode perder a chance de melhorar a renda per capita e os índices sociais. A cultura que mescla populismo com socialismo barato, sentimento hostil ao capital, trava o crescimento sustentável.
Saldo comercial entre os cinco maiores do mundo, reservas em divisas robustas, mercado interno de 230 milhões de pessoas, energia renovável, produção de alimentos com grandes excedentes, um pouco de tecnologia e produtividade permitiriam o grande salto.
Mas leis laborais que inibem o empregar, gastos públicos elevados, impostos acima da média da OCDE e dívida crescente levam a perder competitividade em relação a outros emergentes. O Brasil tem uma das economias mais fechadas entre as 30 maiores e uma legislação de cunho esquerdista que dificulta explorar minerais estratégicos como terras raras, níquel, lítio e grafite, uma parte em terras indígenas de tamanho maior do que a França. O país pede um pouco mais de mentalidade capitalista e menos burocracia.
O caso do Banco Master continua a repercutir e gerar desconfiança quanto à qualidade e qualificação dos indicados para duas vagas na direção do Banco Central. O mercado reagiu mal a nomeação do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários. As fraudes ligadas ao Master aumentam na medida em que os papéis são examinados pelos responsáveis pela liquidação.
Não há clima para se investir no país neste momento.
VARIEDADES
• O Banco BTG-Pactual, presente em Portugal no imobiliário, hotelaria, vinícola e área financeira, comprou um banco nos EUA de um membro da família Safra.
• A política chegou para ficar no carnaval carioca. A Escola de Samba de Niterói resolveu fazer do Presidente Lula seu enredo deste ano. A oposição entrou na Justiça dizendo que é antecipação de campanha eleitoral.
• O grande aumento de turistas europeus no Brasil, em 2025, se deve muito aos voos da TAP e da Air France para o Nordeste brasileiro, onde o clima e as praias são favoráveis todo o ano. Fortaleza, Salvador e Recife recebem a maioria dos voos.
• A Câmara do Rio selecionou mais de 200 imóveis, alguns bem antigos, abandonados no centro histórico. Quem não fizer obras será desapropriado e vendido em leilão, revertendo o valor ao proprietário.
• Bolsonaro reclamou através de seus advogados do barulho feito pelo ar condicionado da sala em que está preso, que já possui uma pequena geladeira.
• A ações da empresa aérea Azul despencaram mais de 50%. Voos internos e internacionais cheios, entretanto.
• A empresa FedEx não vai mais atuar no mercado interno, concentrando suas atividades nas entregas internacionais. Já a concorrente DHL tem crescido ocupando parte do mercado dos Correios, em crise.
• O acordo União Europeia-Mercosul pode ser um mero ato político com poucos efeitos práticos. As dificuldades não se limitam à França, mas também no Parlamento Europeu e nas economias frágeis e fechadas dos quatro fundadores do Mercosul. Acabou sendo aprovado mais como um gesto hostil à política dos EUA de Trump. Quem viver verá!