domingo, 18 jan. 2026

A mudança que compõe o Mundo

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Muda-se o ser, muda-se a confiança. Todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades, dizia o imortal Camões

À hora a que me lerem, a campanha estará praticamente a meio. Muitas alterações ocorreram e outras ainda irão ocorrer. Se mudava à semana, agora é ao dia. Marques Mendes deixou de ter lugar garantido na final a dois. O mesmo pode acontecer, com probabilidade menor, a Gouveia e Melo e até a Ventura que se julgava dispor de lugar cativo. Seguro impressionou mais pela pose que pelo conteúdo. O que tiver para ganhar será agora e não nas 24 horas finais. O mesmo acontece com Cotrim que tem subido vertiginosamente. Como os foguetes de feira, não garante pólvora adicional. Com Gouveia e Melo ocorre o contrário, pode estacionar agora, mas pode saltar para diante nas últimas horas, por exame de consciência dos eleitores indecisos que o prefiram como garantia de independência, segurança e firmeza no País de oito séculos, nestes inseguros tempos de Trump. Os dados não foram ainda lançados.

O debate a onze, ao contrário do que se esperava, foi interessante e útil. Candidatos como cordeirinhos, obedientes a Carlos Daniel, não obliteraram a comunicação com ruído excessivo. E dos laterais vale a pena salientar o homem simples e de boa índole que se revelou Humberto Correia. Jorge Pinto, com o argumento aritmético de a esquerda eleger o PR, pode diminuí-la: a história demonstra que a divisão (Pintasilgo) levou Soares à 2.ª volta. Mas nada garante que a adição obtenha o efeito pretendido: os seus estimados 2% não venham a engrossar dois qualificados tenores, Catarina ou António Filipe, enfraquecendo a candidatura, dita ‘de esquerda’ do hesitante Seguro. Também um apóstolo fiel como São Pedro, por três vezes negou conhecer Jesus. Mas esperar que sobre Seguro seja (re)construída a igreja da esquerda é otimismo a mais.

Entretanto, do outro lado do mar só chegam más notícias. A extração de Maduro não visou a democracia, mas apenas o petróleo. O engenho do golpe, afinal foi conseguido comprando os que o cercavam. O homem pretende agora colonizar a Gronelândia e quem sabe os Açores e as Desertas, que com um simples destacamento se transformam em base fixa para recolha de informação subaquática do Atlântico. Aconselharia o Governo a preparar-se, lendo tudo sobre as negociações prévias à cedência das instalações em Santa Maria e na Terceira. Não esquecer que o argumento jurídico foi o Tratado de Windsor com o Reino Unido. Sem capacidade de resistência militar, ao menos apoiemo-nos no Pacto do Atlântico, reforçando a Europa. Se o Governo tiver dúvidas, perguntem ao Almirante, um dos que conhecem bem a matéria.

Nem toda a mudança compõe o Mundo. Temos de garantir que mudando o ser, se não muda a confiança.