segunda-feira, 13 abr. 2026

‘Os factos são o que são!’

Em 2025/26, o Presidente dos EUA ameaçou integrar o Canadá no seu país e fez o mesmo em relação à Gronelândia.

Pertenço a uma geração que nasceu dez anos após o fim da Segunda Guerra Mundial (1945).          Em 1949, nasceu a NATO. Um ano depois, iniciou-se a Guerra da Coreia (1950-1953), que opôs os EUA à Coreia do Norte e à China, sua aliada.

A Guerra da Indochina (1946-1954) acabou um ano antes do meu nascimento, com a derrota da França na batalha de Dien Bien Phu.

Nesse ano, deu-se o início da Guerra da Argélia (1954-1962), que opôs a França ao movimento independentista argelino.

Um ano após eu vir ao mundo, Israel (1956) invadiu a península do Sinai, apoiado por uma intervenção militar da França e do Reino Unido, que procuravam reverter a nacionalização do Canal do Suez decretada pelo Egito.

Em 1955, em resposta à entrada da RFA na NATO, constituiu-se o Pacto de Varsóvia (1955-1991).

Em 1956, ocorreu uma revolta na Hungria - país do Pacto de Varsóvia - sustada com a ajuda de forças militares da URSS.

Em 1961, deu-se a Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, protagonizada por exilados cubanos, treinados e armados pela CIA, para derrubar Fidel Castro.

A partir de 1961 e até 1975, os EUA travaram, com o Vietname do Norte e com o Vietcongue, no Vietname do Sul, uma guerra feroz que perderam.

Em 1965, as tropas americanas intervieram ainda na República Dominicana, para impedir a chegada ao poder de um governo de esquerda.

Em 1968, forças militares da URSS e de outros países do Pacto de Varsóvia intervieram na Checoslováquia para contrariar as reformas promovidas pelo governo desse país, membro daquela aliança político-militar.

Em 1979, a URSS interveio militarmente no Afeganistão para apoiar um governo aliado contra as guerrilhas islâmicas patrocinadas pelos Estados Unidos e pelo Paquistão (1979-1989).

Em 1983, tropas dos EUA invadiram a pequena ilha de Granada, nas Caraíbas, para derrubar o seu governo de esquerda.

Em 1989, os EUA invadiram o Panamá para destituir Noriega, que, anos antes, trabalhara para a CIA. A soberania sobre o Canal do Panamá só foi totalmente devolvida a esse país em 1999.

Em 1991, os EUA, entre outros países, envolveram-se numa guerra contra o Iraque, após este país ter invadido o Kuwait.

Nesse mesmo ano, a URSS dissolveu-se pacificamente.

Em 1999, a NATO atacou a Sérvia.

Em 2001, iniciou-se uma crescente intervenção militar dos EUA no Afeganistão (2001-2021), a pretexto do atentado contra as Torres Gémeas, em Nova Iorque, efetuado, afinal, pela Al-Qaeda, organização terrorista apoiada pela Arábia Saudita.

Os EUA, em 2003, invadiram de novo o Iraque sob o pretexto - igualmente falso - de que este país possuía armas de destruição massiva.

Já em 2004, tropas dos EUA intervieram no Haiti.

Em 2011, deu-se a ingerência na Líbia, promovida pela NATO, para derrubar Gaddafi.

Em 2014, forças dos EUA intervieram contra o ‘Estado Islâmico’, no Iraque e na Síria, intervenção que, após uma longa guerra civil neste último país, culminou com o derrube do seu governo laico e a tomada recente do poder por um ex-membro da Al-Qaeda.

Em 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia, invocando as violações dos acordos de Minsk e o anterior compromisso dos EUA e da NATO de não fazerem progredir para leste esta aliança militar.

Em 2025/26, o Presidente dos EUA ameaçou integrar o Canadá no seu país e fez o mesmo em relação à Gronelândia.

Em janeiro de 2026, os EUA intervieram na Venezuela e capturaram o Presidente Maduro e ameaçaram Cuba.

No momento, os EUA e Israel desenvolvem uma poderosa operação militar aérea contra o Irão, acusando-o não de ter, mas de querer ter, armas nucleares (2026).

Mais palavras e números, para quê?

Tenho setenta anos e sei ler os factos - e eles são o que são!