terça-feira, 21 jul. 2026

Breaking News

Depois de uma greve geral e de uma série de sondagens sobre a reforma laboral, todas indicando que a maioria dos cidadãos não concorda com o sentido de tal proposta, ouvi o primeiro-ministro na TV dizer, impassível, que a maioria dos portugueses concordava com o que o Governo preconizava sobre tal matéria.

1. À noite, apeteceu-me dar uma volta por Cascais mais longa do que a habitual, para - como se diz -, esmoer o jantar. Calcorreando ruas que não costumava percorrer, deparei-me com um número inimaginado de sem-abrigo, que me impressionou: não supunha que havia tantos.

Sabia, apenas, dos que encontrava nos meus mais curtos percursos habituais.

Lembrei-me de S. Francisco, na Califórnia, quando aí participei numa campanha contra a pena de morte.

O hotel onde me hospedaram, um bom hotel e bem situado, ficava, à noite, literalmente cercado, de sacos-cama de sem-abrigo.

Políticas sociais semelhantes dão resultados sociais semelhantes!

2. Na TV, noticiava-se que o Papa Leão XIV dera a conhecer uma nova encíclica; esta sobre a Inteligência Artificial (IA).

Convenci-me que, de seguida, nos dariam conta da sua orientação e que, seguramente, convidariam religiosos, políticos e especialistas em IA para debater tão atual e importante documento.

O jornal televisivo prosseguiu, porém, com a notícia sobre o tempo que faltava a José Mourinho para abandonar o Benfica e assinar pelo Real Madrid.

Seguiu-se, sobre tão momentosa notícia desportiva, um debate entre especialistas do tipo ‘eu disso nada sei, mas acho que…’.

Sobre a encíclica, nicles.

3. Depois de uma greve geral e de uma série de sondagens sobre a reforma laboral, todas indicando que a maioria dos cidadãos não concorda com o sentido de tal proposta, ouvi o primeiro-ministro na TV dizer, impassível, que a maioria dos portugueses concordava com o que o Governo preconizava sobre tal matéria.

Nem uma pergunta dos jornalistas a invocar os indicadores, antes referidos, e a confrontar o primeiro-ministro com esses números.

Fizeram as perguntas, mas não as passaram nos noticiários?

4. Escutei, com atenção, o PGR na Assembleia da República a emitir a sua opinião sobre a influência de fatores organizativos, e linhas diretivas e procedimentais nos resultado e duração das investigações lideradas pelo DCIAP.

Sobre essa matéria, havia lido já um crítico relatório de inspeção aprovado - por unanimidade - pelo Conselho Superior do Ministério Público.

Têm aí assento o PGR, os PG Regionais, membros indicados pela Assembleia da República e outros pelo Governo e ainda membros eleitos pelos procuradores.

Não vi, nos diferentes canais televisivos, nenhum deputado, nenhum jornalista confrontar o PGR com a opinião do relatório da inspeção, que ele terá, também, aprovado.

Erro meu, má sorte ou desnorte de deputados e dos jornalistas?

5. Os países da UE e da NATO reagiram vigorosamente aos danos causados, num bloco de apartamentos, por um drone russo desprovido de explosivos.

A Roménia nada fez para ser alvo de um tal ataque.

Menos indignados parece, no entanto, terem os ditos países ficado, dias antes, quando um drone ucraniano irrompeu no espaço aéreo da Estónia.

O Secretário-geral da NATO explicou, então, o sucedido: se a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia, esse episódio não se teria dado. Branco é, galinha o põe.

6. Desci a pé a Avenida da Liberdade, em Lisboa, porventura a mais emblemática desta cidade e onde se situam as lojas mais caras do país.

Os canteiros secos das placas laterais pareciam todos uma lixeira, os quiosques e esplanadas assemelhavam-se, com raras exceções, a tascas suburbanas, servidas por pessoal mal vestido e com pouca simpatia.

Uma estátua do Neptuno estava envolta por um cano verde de plástico, de onde jorrava um fio de água sem pressão.

Uma turista tirava uma foto àquela ‘instalação artística’ nacional.