A história mostra-nos que a democracia raramente cai de um dia para o outro. Ela é minada aos poucos, normalizando o discurso autoritário, relativizando os ataques às instituições, aceitando a mentira como método político e o medo como ferramenta de mobilização. É assim que a exceção se torna regra e que a Constituição passa de garantia comum a obstáculo a contornar.
Dizer que ‘todos são iguais’ ou que ‘a política não interessa’ é um luxo que só existe enquanto a democracia funciona. Quando ela começa a falhar, o custo da indiferença é pago em liberdades perdidas, direitos fragilizados e cidadãos reduzidos à condição de espetadores. A neutralidade, nestas circunstâncias, não é prudência: é cumplicidade
Nesta segunda volta das eleições presidenciais, não discutimos direita ou esquerda. Essa é a distração preferida de quem lucra com o ruído. O que está em causa é algo mais grave: um ataque sistemático à democracia, feito não com tanques, mas com palavras grotescas, sorrisos ensaiados e mentiras repetidas até parecerem verdades promovendo uma nova narrativa.
Vêm aí semanas de campanha dura. De lama atirada com método, para desviar a atenção do essencial: ausência de soluções concretas, volatilidade das suas ideias, mudanças de discurso ao sabor da conveniência do momento. O espetáculo substitui o programa. A indignação fabricada substitui a responsabilidade. E, no meio do barulho, perde-se o que importa.
Não será um debate ideológico clássico. Será a escolha entre fortalecer ou corroer os pilares que nos sustentam enquanto sociedade livre e democrática. As palavras de Ventura surgirão com oportunismo calculado, com referências perigosas ao Estado Novo, com mentiras incorporadas com naturalidade, embaladas por uma falsa segurança que pretende tranquilizar enquanto normaliza o inaceitável e dissemina uma clivagem entre o bem e o mal.
Nas próximas eleições presidenciais não existe terreno neutro, nem abrigo confortável para a indiferença. A escolha que se aproxima não é apenas entre dois candidatos, dois estilos ou duas sensibilidades políticas. É uma escolha mais profunda e mais exigente: entre um presidente comprometido com a democracia constitucional e um presidente que a contesta, a corrói ou a instrumentaliza.
Estas eleições presidenciais são, por isso, um momento de escolha e de mobilização pela nossa democracia. Não se exige unanimidade ideológica, pede-se um mínimo comum: o compromisso com os valores constitucionais. Entre um presidente que respeita a Constituição e um presidente que a quer moldar ao seu poder, a escolha é clara! Ou devia ser. A neutralidade do PSD e da Iniciativa Liberal é inaceitável, não há neutralidade que nos absolva da responsabilidade do país que queremos ter. A minha escolha está feita, como na primeira volta, votar António José Seguro pela defesa da nossa Constituição e pelos valores nela inscritos.
Que no dia 8 de fevereiro a democracia prevaleça. Que cada voto seja um ato consciente, informado e responsável. Este é um momento de escolha e de mobilização pela nossa democracia. Não há neutralidade quando a democracia está em causa.