Após o 13 de Março de 1975, o PCP, os outros partidos da extrema esquerda e setores militares do chamado MFA, tudo tentaram para evitar a realização das prometidas eleições para a Assembleia Constituinte, a realizar em 25 de Abril de 1975.
A vontade das forças civis e militares democráticas prevaleceu e as eleições realizaram-se. Nessa altura, praticamente toda a comunicação social estava dominada pelo PCP.
O vencedor das eleições foi o PS com 37,9% dos votos; o PSD com 26,4% e o PCP com 12,6%. Foi uma grande vitória dos democratas e uma tremenda deceção dos comunistas. O que os jornais, rádios e a RTP transmitiam, havia criado uma ilusão de força, que afinal não tinham.
Recordo exatamente, palavra por palavra, a declaração de Álvaro Cunhal, transtornado e ameaçador, na RTP: «Portugal não vai perder pela via eleitoral, o que ganhou pela via revolucionária».
Depois foi a fuga para a frente: Assalto ao jornal República, que havia sobrevivido em todo o Estado Novo; José Saramago a ‘sanear’ 24 jornalistas do Diário de Noticias que pediam uma linha editorial diferente; Otelo no regresso duma viagem a Cuba, entusiasmado, a prometer uns fuzilamentos no Campo Pequeno e entretanto constantes ocupações de terras e empresas, com apoio e proteção de militares esquerdistas.
Mário Soares e o PS, decidiram então convocar um comicio/manifestação, contra o governo de Vasco Gonçalves, o homem de palha do PCP, em defesa do restabelecimento do caminho democrático. O comício, chamado da Alameda ou da Fonte Luminosa, foi grandioso, Mário Soares fez o discurso da sua vida, e dezenas de milhar de pessoas perderam o medo. As forças totalitárias ainda espernearam, cercaram a Assembleia Constituinte a 10 de Novembro, mas de nada valeu. Tinham perdido, mas só o souberam no dia 25.
Nesse dia, 19 de Julho de 1975, um sábado, ficou claro que a Democracia e a Liberdade iriam vencer. Foi um dia inesquecível.
Eu estive lá.
Empresário aposentado