Depois de Portugal ter sido eliminado do Campeonato do Mundo de Futebol, as críticas a Ronaldo sucederam-se. O homem não se mexia, parecia uma estátua, não marcava golos, chegava sempre atrasado aos passes, tirou o lugar a colegas mais novos, não respeitava o público. Enfim, a ingratidão habitual dos invejosos. E dos que esquecem o quanto Portugal deve a Ronaldo.
Eis alguns exemplos da nossa dívida.
Em 1128, na Batalha de São Mamede, Ronaldo e a sua equipa de barões portucalenses desafiou a equipa de Fernão Peres da Trava e seus nobres galegos para um jogo onde se disputava a independência do condado Portucalense. O resultado foi 5-0 para Ronaldo que, além de ter marcado todos os golos, ainda partiu uma perna a Peres da Trava – o árbitro considerou que não houve falta. E assim, graças a Ronaldo, se deu início ao nascimento de Portugal.
Em 1139, na Batalha de Ourique, Ronaldo consolidou a Reconquista ao desafiar para uma peladinha cinco reis árabes. Confiantes na sua superioridade numérica, os mouros aceitaram o desafio, mas correu-lhes mal. De novo, Ronaldo fintou-os e marcou-lhes golos, além de partir mais algumas pernas. Humilhados, os mouros retiraram para Lisboa e o Algarve. E até ao século XX, não se voltou a jogar futebol em Marrocos.
Em1415, os navios portugueses desembarcam em Ceuta e, quando os mouros tentaram fechar o portão da cidade, eis que aparece Ronaldo com duas bolas de futebol e dispara dois remates violentos que derrubam o portão. A partir daí, a conquista foi fácil. E no final, vários prisoneiros mouros confessaram serem seus fãs e pediram-lhe um autógrafo.
Em 1498, a frota comandada por Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia só conseguiu que os marinheiros embarcassem numa viagem tão perigosa porque Ronaldo deu o exemplo e se ofereceu para os acompanhar. Durante a viagem, elevou o moral da tripulação fazendo acrobacias com a bola e contando histórias de mulheres que conquistara. Além disso, levou dois sacos com laranjas que evitaram o escorbuto aos marinheiros.
Em 1640, na Restauração da Independência, acompanha os revoltosos na invasão do Paço da Ribeira e é um seu remate que atira pela janela o traidor Miguel de Vasconcelos. Depois, manifesta o seu apoio a Dom João IV, pede desculpa por ter jogado no Real Madrid e incita o povo a lutar contra os castelhanos. No entanto, deixou a insinuação de que José Mourinho poderia ser um agente de Castela.
Em 1775, depois do terramoto que destruiu Lisboa, o Marquês de Pombal só conseguiu elaborar um plano para socorrer os sobreviventes e dar início à reconstrução da cidade porque Ronaldo esteve ao seu lado. Atarantado, com a peruca em desalinho, o Marquês perguntou-lhe: «o que fazemos, Cristiano?», ao que Ronaldo respondeu: «enterre os vivos e cuide dos mortos».
Em 1910 Ronaldo apoiou a implantação da República, mas criticou o Regicídio. «Bastava pôr o Dom Carlos a jogar futebol, de calções e chuteiras, e nunca mais ninguém quereria a Monarquia», disse. Afonso Costa não gostou, a Carbonária contou as suas bombas, mas ninguém sequer o criticou.
Em 1974, no 25 de Abril, quando as forças de Salgueiro Maia enfrentam no Terreiro do Paço uma coluna de tanques comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, é Ronaldo quem evita um banho de sangue. O brigadeiro deu ordens para abrirem fogo sobre os revoltosos, mas os seus homens, ao verem Ronaldo com um cravo ao peito, não foram capazes de alvejar o seu ídolo.
E em 1986, Portugal só entra na CEE porque a comunidade europeia não podia dar-se ao luxo de não ter na sua organização um país com um craque como Ronaldo. Na cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, depois de Mário Soares ter assinado o tratado de adesão, Ronaldo rubricou todas a folhas.
Em 1988, é Ronaldo quem convence Alberto João Jardim a não declarar a independência da Madeira. Apesar disso, entre os cubanos do continente houve quem tenha ficado desiludido.
Enfim, a História de Portugal confunde-se com Ronaldo. Se Pelé, Maradona e Messi foram meros jogadores de futebol, sem terem salvado os seus países nos momentos mais
difíceis, ou terem qualquer contributo nas artes e nas ciências, Ronaldo foi o ponta de lança dos grandes momentos históricos de Portugal.
Podia perfeitamente ter descoberto o Nónio, escrito Os Lusíadas e descoberto a vacina do Covid.
Caso ele venha viver de novo em Portugal, é quase certo que deixaremos de ser um país corrupto, atrasado e que idolatra o futebol.