sexta-feira, 07 ago. 2026

A ingratidão de Portugal para com Ronaldo

Em 1974, no 25 de Abril, quando as forças de Salgueiro Maia enfrentam no Terreiro do Paço uma coluna de tanques comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, é Ronaldo quem evita um banho de sangue. O brigadeiro deu ordens para abrirem fogo sobre os revoltosos, mas os seus homens, ao verem Ronaldo com um cravo ao peito, não foram capazes de alvejar o seu ídolo.

Depois de Portugal ter sido eliminado do Campeonato do Mundo de Futebol, as críticas a Ronaldo sucederam-se. O homem não se mexia, parecia uma estátua, não marcava golos, chegava sempre atrasado aos passes, tirou o lugar a colegas mais novos, não respeitava o público. Enfim, a ingratidão habitual dos invejosos. E dos que esquecem o quanto Portugal deve a Ronaldo.

Eis alguns exemplos da nossa dívida.

Em 1128, na Batalha de São Mamede, Ronaldo e a sua equipa de barões portucalenses desafiou a equipa de Fernão Peres da Trava e seus nobres galegos para um jogo onde se disputava a independência do condado Portucalense. O resultado foi 5-0 para Ronaldo que, além de ter marcado todos os golos, ainda partiu uma perna a Peres da Trava – o árbitro considerou que não houve falta. E assim, graças a Ronaldo, se deu início ao nascimento de Portugal.

Em 1139, na Batalha de Ourique, Ronaldo consolidou a Reconquista ao desafiar para uma peladinha cinco reis árabes. Confiantes na sua superioridade numérica, os mouros aceitaram o desafio, mas correu-lhes mal. De novo, Ronaldo fintou-os e marcou-lhes golos, além de partir mais algumas pernas. Humilhados, os mouros retiraram para Lisboa e o Algarve. E até ao século XX, não se voltou a jogar futebol em Marrocos.

Em1415, os navios portugueses desembarcam em Ceuta e, quando os mouros tentaram fechar o portão da cidade, eis que aparece Ronaldo com duas bolas de futebol e dispara dois remates violentos que derrubam o portão. A partir daí, a conquista foi fácil. E no final, vários prisoneiros mouros confessaram serem seus fãs e pediram-lhe um autógrafo.

Em 1498, a frota comandada por Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia só conseguiu que os marinheiros embarcassem numa viagem tão perigosa porque Ronaldo deu o exemplo e se ofereceu para os acompanhar. Durante a viagem, elevou o moral da tripulação fazendo acrobacias com a bola e contando histórias de mulheres que conquistara. Além disso, levou dois sacos com laranjas que evitaram o escorbuto aos marinheiros.

Em 1640, na Restauração da Independência, acompanha os revoltosos na invasão do Paço da Ribeira e é um seu remate que atira pela janela o traidor Miguel de Vasconcelos. Depois, manifesta o seu apoio a Dom João IV, pede desculpa por ter jogado no Real Madrid e incita o povo a lutar contra os castelhanos. No entanto, deixou a insinuação de que José Mourinho poderia ser um agente de Castela.

Em 1775, depois do terramoto que destruiu Lisboa, o Marquês de Pombal só conseguiu elaborar um plano para socorrer os sobreviventes e dar início à reconstrução da cidade porque Ronaldo esteve ao seu lado. Atarantado, com a peruca em desalinho, o Marquês perguntou-lhe: «o que fazemos, Cristiano?», ao que Ronaldo respondeu: «enterre os vivos e cuide dos mortos».

Em 1910 Ronaldo apoiou a implantação da República, mas criticou o Regicídio. «Bastava pôr o Dom Carlos a jogar futebol, de calções e chuteiras, e nunca mais ninguém quereria a Monarquia», disse. Afonso Costa não gostou, a Carbonária contou as suas bombas, mas ninguém sequer o criticou.

Em 1974, no 25 de Abril, quando as forças de Salgueiro Maia enfrentam no Terreiro do Paço uma coluna de tanques comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, é Ronaldo quem evita um banho de sangue. O brigadeiro deu ordens para abrirem fogo sobre os revoltosos, mas os seus homens, ao verem Ronaldo com um cravo ao peito, não foram capazes de alvejar o seu ídolo.

E em 1986, Portugal só entra na CEE porque a comunidade europeia não podia dar-se ao luxo de não ter na sua organização um país com um craque como Ronaldo. Na cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, depois de Mário Soares ter assinado o tratado de adesão, Ronaldo rubricou todas a folhas.

Em 1988, é Ronaldo quem convence Alberto João Jardim a não declarar a independência da Madeira. Apesar disso, entre os cubanos do continente houve quem tenha ficado desiludido.

Enfim, a História de Portugal confunde-se com Ronaldo. Se Pelé, Maradona e Messi foram meros jogadores de futebol, sem terem salvado os seus países nos momentos mais

difíceis, ou terem qualquer contributo nas artes e nas ciências, Ronaldo foi o ponta de lança dos grandes momentos históricos de Portugal.

Podia perfeitamente ter descoberto o Nónio, escrito Os Lusíadas e descoberto a vacina do Covid.

Caso ele venha viver de novo em Portugal, é quase certo que deixaremos de ser um país corrupto, atrasado e que idolatra o futebol.