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Durante 23 dias, ninguém soube se ainda estaria viva. Escondida entre toneladas de betão e metal, um gato conseguiu sobreviver ao colapso de um edifício provocado pelos fortes sismos que atingiram o estado venezuelano de La Guaira, no passado dia 24 de junho.
Contra todas as probabilidades, o animal foi encontrado com vida, na madrugada desta sexta-feira, durante uma operação de busca realizada na urbanização Páez, em Catia La Mar, tornando-se um símbolo de esperança para uma comunidade ainda a recuperar da tragédia.
Segundo o Diário Versíon Final, o resgate aconteceu quando os operacionais ouviram "um miar" vindo do interior dos escombros e decidiram concentrar esforços naquele ponto. Os bombeiros conseguiram retirar o animal, visivelmente debilitado, mas vivo. A cena foi recebida com emoção por quem acompanhava os trabalhos de salvamento.
"Há gato, há gato", pode ouvir-se no vídeo.
Um sobrevivente inesperado no meio da devastação
Desde os sismos que atingiram La Guaira, centenas de operacionais têm trabalhado sem interrupções na remoção de destroços e na procura de vítimas e sobreviventes. O mais recente balanço oficial das autoridades venezuelanas, divulgado na passada quinta-feira, aponta para 4.829 mortos e milhares de desaparecidos.
O resgate deste gato acabou por representar muito mais do que a salvação de um animal: para muitos habitantes e elementos das equipas de emergência, foi um momento raro de alívio e um símbolo de resistência, numa missão marcada por perdas humanas e destruição, e que se torna mais difícil a cada dia que passa.
Como foi possível sobreviver durante tanto tempo?
Embora casos como este sejam excecionais, especialistas explicam que alguns animais conseguem resistir durante vários dias, ou mesmo semanas, quando encontram pequenas bolsas de ar e têm acesso ocasional a água proveniente de fugas ou da humidade acumulada nos escombros.
O metabolismo dos gatos, aliado à sua capacidade de permanecerem imóveis durante longos períodos para poupar energia, pode aumentar as hipóteses de sobrevivência em situações extremas. Ainda assim, sobreviver durante 23 dias continua a ser um feito invulgar.
Após o resgate, o animal foi entregue aos cuidados de profissionais para receber alimentação, hidratação e avaliação veterinária. O seu estado clínico não foi divulgado em detalhe pelas autoridades locais.