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O Presidente ucraniano anunciou esta quinta-feira, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, a realização de uma cimeira trilateral entre a Ucrânia, a Rússia e os EUA, prevista para começar na sexta-feira, nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo Volodymyr Zelensky, a iniciativa partiu de Washington e os encontros deverão prolongar-se até domingo, embora o chefe de Estado ucraniano tenha admitido incerteza quanto à confirmação dos preparativos.
“Espero que os Emirados estejam cientes disto. Por vezes somos surpreendidos por estas situações vindas do lado americano”, afirmou, em resposta a perguntas dos jornalistas após o seu discurso.
O anúncio surgiu depois de Zelensky se ter reunido com o Presidente norte-americano, Donald Trump, à margem do encontro em Davos. O líder ucraniano não especificou o formato da cimeira nem se haverá contactos diretos entre representantes de Kyiv e Moscovo.
Críticas à Europa
No mesmo discurso, Zelensky criticou a Europa, que considerou fragmentada e incapaz de afirmar-se como potência global. “Em vez de se tornar numa verdadeira potência global, a Europa continua a ser um belo, mas fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências”, afirmou.
O chefe de Estado ucraniano lamentou ainda a falta de progressos desde o último Fórum de Davos, comparando a situação ao filme Feitiço do Tempo. “No ano passado disse aqui que a Europa precisava de saber defender-se. Passou um ano e nada mudou”, declarou.
Trump pede fim da guerra, mas fala em caminho longo
Após a reunião com Zelensky, Trump pediu publicamente à Rússia que termine a guerra. “A guerra deve acabar”, afirmou aos jornalistas, referindo-se ao conflito iniciado em fevereiro de 2022. No entanto, advertiu que ainda há “um longo caminho” a percorrer até uma solução definitiva.
Zelensky classificou o encontro como “produtivo e substancial”, sublinhando que o trabalho das equipas negociadoras está mais avançado e voltou a solicitar aos EUA o reforço da defesa antiaérea da Ucrânia. Agradeceu o último pacote de mísseis enviados e pediu novo apoio para proteger “vidas, a resiliência e os esforços diplomáticos”.
Contactos paralelos com Moscovo
Enquanto decorria a reunião em Davos, o enviado especial de Trump para a Ucrânia, Steve Witkoff, preparava-se para um encontro em Moscovo com o Presidente russo, Vladimir Putin. Witkoff afirmou recentemente que houve “muitos progressos” nas conversações, embora sem revelar detalhes.
A Rússia continua a exigir soberania sobre a Crimeia, anexada em 2014, e sobre territórios que declarou anexados em 2022, exigências rejeitadas pela Ucrânia e pelos seus aliados.
A guerra provocou a destruição de vastas infraestruturas ucranianas, incluindo energéticas, e causou um número ainda indeterminado de mortos e feridos de ambos os lados, sendo considerada o conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.