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José Luis Rodríguez Zapatero vai comparecer esta semana perante a Audiência Nacional de Espanha para prestar declarações, na qualidade de investigado, no âmbito do chamado "caso Plus Ultra", um processo judicial que envolve suspeitas de tráfico de influências, branqueamento de capitais e outros crimes económicos. A audição do antigo primeiro-ministro espanhol decorrerá durante dois dias, quarta e quinta-feira, em Madrid.
A investigação teve origem no polémico resgate financeiro concedido em 2021 à companhia aérea Plus Ultra, que recebeu 53 milhões de euros através de um fundo criado pelo Governo espanhol para apoiar empresas consideradas estratégicas durante a pandemia de covid-19. A ajuda foi atribuída sob a forma de empréstimo e foi aprovada pelo executivo liderado por Pedro Sánchez.
Segundo a Audiência Nacional, Zapatero está a ser investigado por alegados crimes de tráfico de influências e branqueamento de capitais. De acordo com o sumário do processo, o ex-chefe do Governo espanhol é suspeito de ter liderado uma estrutura destinada a obter benefícios económicos através da intermediação junto de organismos públicos em favor de terceiros, nomeadamente da companhia aérea Plus Ultra.
As autoridades investigam ainda a alegada utilização de empresas e documentação considerada simulada para exercer influências ilícitas e ocultar a origem e o destino de verbas. Entre as entidades sob escrutínio encontra-se uma empresa ligada às filhas de Zapatero, que foi alvo de buscas realizadas pela polícia espanhola.
O processo ganhou uma nova dimensão depois de, durante uma busca ao escritório do antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), terem sido encontradas joias avaliadas preliminarmente em cerca de 1,3 milhões de euros. Na sequência dessa descoberta, o juiz responsável pelo caso decidiu abrir uma peça processual autónoma para investigar eventuais crimes de fraude fiscal e contrabando relacionados com a origem e eventual declaração patrimonial desses bens.
De acordo com informações divulgadas pela comunicação social espanhola, Zapatero solicitou entretanto ao juiz que a audição desta semana se concentre apenas nas questões relacionadas com o resgate da Plus Ultra, pedindo mais tempo para preparar a sua defesa relativamente ao caso das joias.
O ex-primeiro-ministro, de 65 anos, tem rejeitado todas as suspeitas e garantido total colaboração com a Justiça. Relativamente às joias apreendidas, fontes próximas do antigo governante afirmaram tratar-se de heranças familiares e presentes, embora sem apresentarem mais detalhes públicos sobre a sua proveniência.
O Governo espanhol tem reagido ao caso com prudência, sublinhando o respeito pelo trabalho dos tribunais e pelo princípio da presunção de inocência. O executivo recorda ainda que o resgate da Plus Ultra recebeu o aval das instituições europeias e do Tribunal de Contas espanhol.
A investigação a Zapatero surge numa altura particularmente sensível para o PSOE, que enfrenta vários processos judiciais envolvendo antigos dirigentes e pessoas próximas do partido. Ainda assim, Pedro Sánchez já manifestou publicamente apoio ao ex-primeiro-ministro, defendendo o respeito pela presunção de inocência enquanto decorrem as investigações.