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A presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, alertou esta terça-feira que a União Europeia continuará “vulnerável” enquanto mantiver dependência de petróleo e gás importados, numa altura em que a guerra no Médio Oriente continua a pressionar os mercados energéticos globais.
“A situação no Médio Oriente está a causar um impacto em todo o mundo. Graças às medidas que tomámos nos últimos anos, estamos menos expostos do que antes, mas não estamos imunes”, afirmou a líder do executivo comunitário.
Numa intervenção em vídeo na Conferência Europeia sobre Tecnologias Limpas, em Bruxelas, Ursula von der Leyen defendeu que a resposta estratégica da Europa passa pela aceleração da eletrificação da economia.
“Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos vulneráveis”, sublinhou.
A presidente da CE destacou ainda que os consumidores europeus já estão a adaptar-se ao novo contexto energético, apontando para um aumento de 51% nas compras de veículos elétricos desde o início da guerra no Médio Oriente.
Na segunda-feira, a CE admitiu a possibilidade de surgirem “constrangimentos regionais de abastecimento” de petróleo nas próximas semanas caso se mantenha o bloqueio no estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas mundiais para transporte de crude.
Segundo a Direção-Geral da Energia do executivo comunitário, o combustível de aviação é atualmente a principal preocupação.
O alerta surgiu após uma reunião do Grupo de Coordenação do Petróleo, que reuniu especialistas da Comissão Europeia, dos Estados-membros, da Agência Internacional de Energia, da NATO e representantes da indústria petrolífera.
Os especialistas consideram que, caso a crise se prolongue, poderá ser necessário combinar a libertação de reservas estratégicas com medidas de poupança energética para prolongar a capacidade de resposta da União Europeia.
Também esta semana, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou que as reservas comerciais de petróleo acumuladas antes do agravamento do conflito estão a diminuir rapidamente e podem esgotar-se “numa questão de semanas”.
O conflito no Médio Oriente, envolvendo Irão, Israel e EUA, já provoca impactos significativos no setor da aviação, incluindo aumento dos custos operacionais, perturbações nas rotas aéreas e pressão acrescida sobre a logística global.
Atualmente, a legislação europeia obriga os Estados-membros a manter reservas estratégicas equivalentes a 90 dias de consumo de petróleo.
No entanto, a forte dependência energética externa mantém a Europa exposta a choques internacionais relacionados com o fornecimento de crude e combustíveis refinados.