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Marina Lacerda é uma das vítimas do criminoso sexual Jeffrey Epstein que deu a cara em como tinha sido abusada sexualmente quando tinha apenas 14 anos. Mas rapidamente percebeu que as represálias podiam chegar.
Em setembro do ano passado, Marina e outras vítimas decidiram reunir-se para pressionar o governo norte-americano a divulgar todos os ficheiros relacionados com Jeffrey Epstein. No entanto, os comentários nas redes sociais trouxeram uma realidade assustadora para a vítima. "Ela ficará sem vida", escrevia um utilizador, enquanto outro lamentava: "Ela realmente deveria ter ficado calada. Descanse em paz".
De acordo com a agência Reuters, o assédio intensificou-se a partir do momento em que o nome de Lacerda apareceu 46 vezes nos documentos já divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos: foi chamada de mentirosa, prostituta e teve de ouvir que "mereceu o que lhe aconteceu". Não era suposto o nome de 177 mulheres aparecer explícito nos ficheiros por uma questão de proteção, um erro reconhecido pelo departamento, que voltou a publicar os ficheiros com os nomes censurados.
Tudo tomou um novo rumo quando até a sua filha de 12 anos começou a ser alvo de provocações na escola, com colegas a questionar se seria filha do criminoso.
Em declarações à agência Reuters, a vítima brasileira afirmou que vive aterrorizada que algo lhes possa acontecer: "Tenho medo que alguém entre em casa", revela, admitindo que dorme com uma arma na mesa de cabeceira. "Vivo paranoica o tempo todo".
A história de Marina não é única. São 23 as vítimas identificadas que sofreram ameaças, assédio e intimidação após terem revelado o que lhes aconteceu com Epstein.
Desde fotografias às suas casas, a carros parados durante vário tempo nos seus bairros, o assédio manifesta-se de várias formas. Algumas destas mulheres revelam mesmo que sofrem ameaças de violência, com chamadas telefónicas anónimas que demonstram o conhecimento das suas moradas. Algumas das vítimas garantem não sair de casa sozinhas e sublinham que este assédio apenas agravou o dano já causado pelos crimes que sofreram.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto numa prisão de Manhattan em agosto de 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. Ghislaine Maxwell, conhecida como a sua companheira e cúmplice, foi condenada em 2021 a uma pena de 20 anos de prisão.
O Departamento de Justiça dos EUA ainda não divulgou os restantes ficheiros relacionados com o caso, o que gera cada vez mais revolta no país.