sexta-feira, 10 jul. 2026

Violência dispara em Belfast. Novos detalhes sobre o agressor e vítima apresenta melhorias significativas

Após o ataque de extrema violência na passada segunda-feira, a cidade vive uma onda de protestos e confrontos nas ruas.

A tensão em Belfast continua a escalar após o ataque de extrema violência, com faca, que ocorreu na passada segunda-feira e desencadeou vários protestos, confrontos e distúrbios em diferentes zonas da cidade.

O episódio, divulgado em vídeo nas redes sociais, deixou um homem de 44 anos em estado grave, após a tentativa de decapitação por parte de um outro homem, de nacionalidade sudanesa.

Vítima apresenta sinais de melhoria

A vítima encontra-se internada em estado crítico, mas os médicos mostram-se agora cautelosamente otimistas, admitindo a possibilidade de Ogilvie sair do coma nas próximas 48 horas, devido às melhorias que tem apresentado.

Segundo o Independent, Gavin Robinson, líder do Partido Unionista Democrático, falou com os pais de Stephen Ogilvie esta quinta-feira e revelou que os médicos esperam que Ogilvie saia do coma "entre as próximas 24 a 48 horas, altura na qual será feita uma avaliação relativamente à sua visão e outros impactos".

Família da vítima apela ao fim da desinformação

A família está grata por todo o apoio que tem recebido, contudo apela ao fim de toda a desinformação que cirula nas redes sociais, "que só estão a tornar uma situação difícil ainda pior.", avança a mesma fonte.

Suspeito terá sido polícia no Sudão

O suspeito do ataque, de 30 anos de nacionalidade sudanesa e identificado como Hadi Alodid foi acusado de tentativa de homicídio, posse de arma branca e ameaças de morte.

Fontes próximas do arguido, em declarações ao The Telegraph, afirmam que o homem terá trabalhado anteriormente como polícia no Sudão, antes de abandonar o país devido ao conflito armado em abril de 2023.

As autoridades sublinham, no entanto, que o suspeito reside legalmente no Reino Unido ao abrigo de um regime de proteção internacional e que o processo judicial segue os trâmites normais.

Protestos continuam

A divulgação do ataque e a circulação de imagens nas redes sociais deram origem a protestos anti-imigração que rapidamente resultaram em confrontos violentos com as forças de segurança e com populares.

Nas últimas noites, registaram-se incêndios em veículos e habitações, lançamento de objetos contra a polícia e danos significativos em várias zonas residenciais.

Já terão sido utilizados canhões de água para dispersar os manifestantes em Sandyknowes, nos arredores de Belfast, após cerca de 200 pessoas se terem reunido e atirado pedras e garrafas contra as autoridades que tentava contê-los.

A Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) confirmou 19 detenções e pelo menos 12 agentes feridos, num cenário que levou ao reforço do dispositivo policial na cidade.

Os detidos já foram presentes a tribunal são acusados de crimes como danos deliberados a veículos, ataques incendiários contra habitações, lançamento de pedras contra patrulha policial e grafites nas ruas.

Comunidade em alerta e apelos à calma

O agravamento da violência levou autoridades políticas e comunitárias a apelar ao fim imediato dos distúrbios.

A família da vítima, em comunicado também pediu contenção, sublinhando que o caso deve ser tratado no âmbito da justiça e não ser instrumentalizado para alimentar divisões sociais ou ataques a comunidades estrangeiras.

"Queremos deixar absolutamente claro que a nossa família não apoia este tipo de reação, e que o protesto pacífico é sempre a única via a seguir. Temos muitos migrantes que dão um contributo extremamente valioso ao nosso país, nomeadamente no nosso sistema de saúde e no setor da hotelaria e restauração, e dependemos deles para que o nosso país funcione", afirma a família numa nota partilhada pela polícia, citada pela Lusa.

"Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade --- não façam isto em nome do nosso familiar, pois não partilhamos os mesmos valores", acrescentaram.

As autoridades alertaram, ainda, para a partilha de dados de contacto e indicadas moradas de imigrantes, incitando a novos protestos, após ter recebido chamadas de famílias, proprietários, vizinhos e outros membros da comunidade local "que se encontram angustiados em consequência desta atividade irresponsável".

(atualizada às 15h35)