quinta-feira, 16 abr. 2026

Violação coletiva em França: ex-jogadores de râguebi condenados até 14 anos de prisão

Tribunal manteve penas pesadas quase oito anos após os factos. Juiz destaca “gravidade dos atos” e ausência de mudança no comportamento dos arguidos.
Violação coletiva em França: ex-jogadores de râguebi condenados até 14 anos de prisão

A justiça francesa confirmou as penas de prisão aplicadas a três antigos jogadores de râguebi, condenados pela violação coletiva de uma mulher em 2017, em Bordéus.

No final de 2024, o francês Loïck Jammes e o irlandês Denis Coulson foram condenados a 14 anos de prisão, enquanto o neozelandês Rory Grice recebeu uma pena de 12 anos. A decisão foi agora mantida pelo Tribunal de Assize de Charente, em Angoulême, após um julgamento realizado à porta fechada.

“Foram condenados à mesma pena do primeiro julgamento. O tribunal e o júri tiveram em conta a gravidade dos atos, as circunstâncias que os envolveram e a ausência de qualquer alteração significativa de comportamento em comparação com a decisão anterior”, declarou o juiz presidente, após cerca de cinco horas de deliberação.

O Ministério Público francês já tinha pedido, na sexta-feira anterior, penas de 14 anos para os três arguidos. Em França, a violação coletiva pode ser punida com um máximo de 20 anos de prisão.

Os factos remontam a 11 de março de 2017, quando os três jogadores, então ao serviço do Grenoble e com idades entre os 22 e os 27 anos, terão violado uma jovem de 20 anos, que se encontrava “extremamente alcoolizada”, após um jogo em Bordéus.

Na manhã seguinte, a vítima abandonou em lágrimas um hotel em Mérignac, onde a equipa estava hospedada. Na denúncia, a estudante relatou que tinha acompanhado alguns jogadores a um clube noturno, mas que não se recordava do que aconteceu depois.

Segundo o seu testemunho, acordou nua, “com uma muleta inserida na vagina”, rodeada por dois homens nus e outros vestidos.

Durante o processo, os arguidos sustentaram que as relações foram consentidas, apoiando-se num vídeo gravado por um deles. Ainda assim, o tribunal considerou provada a violação.

Outros dois membros da equipa que assistiram aos factos sem intervir já tinham sido condenados e não recorreram. O irlandês Chris Farrell foi sentenciado a quatro anos de prisão, dos quais dois com pena suspensa, e o neozelandês Dylan Hayes a dois anos, totalmente suspensos.

A decisão agora confirmada encerra um dos casos mais mediáticos do desporto francês dos últimos anos.