quinta-feira, 16 abr. 2026

Vereador e seis polícias militares presos por ligação ao Comando Vermelho

A operação marca mais um capítulo das investigações sobre a infiltração do grupo criminoso nas instituições do Rio de Janeiro, destacando a complexidade do combate ao crime organizado na cidade
Vereador e seis polícias militares presos por ligação ao Comando Vermelho

Um vereador e seis polícias militares foram detidos preventivamente esta quarta-feira no Rio de Janeiro, suspeitos de ligação ao grupo criminoso Comando Vermelho, numa série de operações que já envolveu mais de 20 autoridades da cidade brasileira.

Segundo a Polícia Federal do Brasil, os elementos recolhidos durante as investigações indicam que os militares usavam a farda e a função pública em benefício do crime organizado, facilitando a logística do tráfico e das milícias, protegendo criminosos e ocultando “proveito económico ilícito”.

Os detidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro, acrescentou a Polícia Federal.

Acusações contra o vereador

O vereador Salvino Oliveira Barbosa, ex-secretário municipal da Juventude do atual prefeito, é acusado de negociar diretamente com o traficante e líder do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”.

Segundo as autoridades, o parlamentar teria autorizado a realização de campanha eleitoral numa comunidade controlada pela facção criminosa e, em contrapartida, articulado benefícios para o grupo, apresentados como ações sociais à população local. Entre os exemplos investigados está a instalação de quiosques na região.

Investigações apontam cooperação sistemática com o crime organizado

As operações desta semana no Rio de Janeiro envolveram mais de 20 agentes de diferentes forças policiais, no âmbito de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal que revelaram formas diversas de cooperação entre agentes e organizações criminosas.

Entre os casos apurados, incluem-se:

  • Polícias civis acusados de usar a estrutura de esquadras para extorquir dinheiro a membros do Comando Vermelho;

  • Proteção armada de pontos de jogos de azar ilegais, como o jogo do bicho, impedindo ações policiais;

  • Facilitação de operações de tráfico e proteção de criminosos internacionais.

A Polícia Federal reafirma que os suspeitos responderão criminalmente na medida das suas responsabilidades, num esforço para combater a infiltração do crime organizado nas forças de segurança e na política local.

A operação marca mais um capítulo das investigações sobre a infiltração do Comando Vermelho nas instituições do Rio de Janeiro, destacando a complexidade do combate ao crime organizado na cidade.