O Vaticano anunciou esta quinta-feira que - tal como SOL noticiou na sua última edição - os bispos envolvidos nas recentes consagrações episcopais promovidas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X incorreram em excomunhão automática (latae sententiae), classificando o ato como cismático e advertindo que quem aderir ao cisma incorre na mesma pena canónica.
Em decreto, o Dicastério para a Doutrina da Fé afirma que D. Alfonso de Galarreta realizou a consagração episcopal de quatro sacerdotes «sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice», incorrendo, por esse motivo, na pena prevista pelo Código de Direito Canónico.
O documento declara igualmente excomungados os quatro novos bispos - Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappe -, bem como D. Bernard Fellay, apontado como coconsagrante na cerimónia.
Na parte final do decreto, o Dicastério adverte os clérigos e os fiéis leigos para que «não adiram ao cisma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X», esclarecendo que a adesão ao cisma implica igualmente excomunhão latae sententiae.
O comunicado surge na sequência das consagrações episcopais realizadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, noticiadas na semana passada pelo SOL. A fraternidade levou a cabo a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do Papa, num gesto interpretado por Roma como uma rutura formal com a autoridade da Igreja Católica.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 por D. Marcel Lefebvre e mantém há décadas uma relação tensa com a Santa Sé, devido à rejeição de várias reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II. Embora a situação canónica da fraternidade fosse considerada irregular, o novo decreto representa uma escalada significativa, ao declarar explicitamente que as recentes consagrações constituem um ato cismático e ao aplicar as respetivas sanções canónicas.