sexta-feira, 15 mai. 2026

União Europeia fica atrás da Rússia na produção militar

O comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius defendeu o reforço urgente da indústria de defesa europeia
União Europeia fica atrás da Rússia na produção militar

A capacidade de produção de armamento da União Europeia (UE) está significativamente abaixo da da Rússia, alertou o comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius.

O responsável baseou-se em dados que afirmou estarem disponíveis publicamente e que lhe terão sido fornecidos por ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT, sublinhando a diferença entre a produção militar europeia e russa.

Segundo Andrius Kubilius, a Rússia produziu no último ano cerca de 1.200 mísseis de cruzeiro, todos utilizados no conflito na Ucrânia, enquanto a União Europeia terá produzido menos de 300. No caso dos mísseis balísticos, Moscovo terá produzido cerca de 1.000 unidades, enquanto a UE não produziu nenhuma.

Numa entrevista a várias agências de notícias europeias, o comissário alertou ainda para a dependência europeia dos EUA no fornecimento de armamento à Ucrânia, estimando que cerca de 40% do material militar enviado ao país provém de Washington, incluindo sistemas como os mísseis Patriot.

No entanto, referiu que a situação se complicou devido à guerra no Médio Oriente, envolvendo o Irão, o que terá levado os EUA a reduzirem significativamente as suas reservas militares.

“Há quem diga que poderá demorar três a quatro anos para a indústria de defesa dos EUA repor o stock necessário”, afirmou, defendendo que a Europa deve acelerar a sua própria capacidade de produção.

Apesar das críticas, Andrius Kubilius elogiou os avanços da Ucrânia na indústria de defesa, destacando o desenvolvimento de mísseis de cruzeiro como o “Flamingo”, com previsão de produção de cerca de 700 unidades este ano, bem como planos para fabricar mísseis balísticos.

O responsável europeu revelou ainda que decorrem conversações entre a indústria ucraniana e europeia para o desenvolvimento de sistemas antimíssil, com apoio da UE.

A entrevista abordou também questões de segurança marítima, nomeadamente a possível proteção do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

Andrius Kubilius sublinhou que o interesse global passa por garantir a reabertura e segurança da passagem marítima, reconhecendo o impacto dos conflitos no aumento dos preços da energia.

Questionado sobre a missão naval europeia Aspides, no Mar Vermelho, o comissário defendeu que a prioridade deve ser garantir a segurança da navegação e que a UE deve estar preparada para contribuir sempre que possível.