quinta-feira, 16 abr. 2026

UNESCO alerta: 273 milhões de crianças e jovens sem acesso à escola

Apesar de progressos históricos, o mundo enfrenta um retrocesso preocupante no acesso à educação, com milhões de crianças ainda excluídas — especialmente nas regiões mais vulneráveis.
UNESCO alerta: 273 milhões de crianças e jovens sem acesso à escola

Uma em cada seis crianças e jovens no mundo não tem acesso à educação, num total de 273 milhões excluídos, segundo um relatório da UNESCO apresentado esta quarta-feira em Paris.

O estudo, coordenado por Manos Antoninis, revela ainda que mais 13 milhões vivem em países afetados por conflitos, agravando o cenário global.

O relatório conclui que o mundo não deverá atingir o acesso universal à educação até 2030, embora os especialistas defendam que isso não representa um fracasso total.

Também Andreas Schleicher, da OCDE, considerou que as metas eram “demasiado ambiciosas”, sublinhando que houve progressos significativos nas últimas décadas.

Mais alunos, mas desigualdades persistem

Desde 2000, o número de estudantes aumentou fortemente, com mais 204 milhões no ensino básico, mais 121 milhões no ensino secundário num total de 1,4 mil milhões de alunos em 2024

Além disso, o pré-escolar cresceu 45%, o ensino obrigatório aumentou 30% e o ensino superior disparou 161%

Apesar destes avanços, o progresso abrandou desde 2015 e o número de crianças fora da escola voltou a aumentar 3%, após anos de queda.

Embora mais países invistam em medidas de apoio — como programas de alimentação escolar — o relatório destaca que menos de 10% dos países têm políticas fortes de equidade

A exclusão continua a afetar sobretudo:

  • Países mais pobres

  • Regiões em conflito

  • Crianças que entram tarde na escola ou repetem anos

Mas alguns países conseguiram reduzir drasticamente a exclusão escolar (mais de 80%), como:

  • Madagáscar e Togo (crianças)

  • Marrocos e Vietname (adolescentes)

  • Geórgia e Turquia (jovens)

Ainda assim, a taxa de conclusão escolar estagnou. Ao ritmo atual, o mundo só atingirá cerca de 95% de conclusão do ensino secundário em 2105.

Educação como direito ainda em risco

O relatório inclui também o testemunho da atleta e refugiada afegã Marzieh Hamidi, que destacou o impacto transformador da educação — e alertou para a realidade no Afeganistão, onde desde 2021 as raparigas estão impedidas de estudar após os 12 anos.

O diretor-geral da UNESCO, Khaled El-Enany, resumiu o desafio: “Muito já foi alcançado, mas ainda há muito por fazer.”

Apesar de progressos históricos, o mundo enfrenta um retrocesso preocupante no acesso à educação, com milhões de crianças ainda excluídas — especialmente nas regiões mais vulneráveis.