terça-feira, 16 jun. 2026

Uma professora, a filha e três mergulhadores: quem são as vítimas do "pior acidente de mergulho" nas Maldivas?

A imprensa italiana tem dado vários detalhes sobre as cinco vítimas, sendo que o corpo de Gianluca Benedetti, de 44 anos, foi o único a ser resgatado até ao momento.
Uma professora, a filha e três mergulhadores: quem são as vítimas do "pior acidente de mergulho" nas Maldivas?

As buscas pelos restantes quatro corpos dos cidadãos italianos desaparecidos nas Maldivas após uma expedição subaquática a uma gruta a quase 60 metros de profundida continuam, embora tenham já sido interrompidas devido ao mau tempo e, no sábado, devido à morte de um dos mergulhadores que fazia parte da equipa de resgate.

As cinco vítimas seguiam na embarcação Duke of York, com outros 20 cidadãos italianos, e terão iniciado uma expedição de caráter científico-biológico numa gruta entre os 50 e 60 metros de profundidade, na região do atol de Vaavu, de acordo com a imprensa italiana.

"O mergulho devia durar menos de uma hora. Mergulharam às 11h e, quando por volta das 12h não os vimos regressar à superfície, começámos a procurá-los com o barco”, explicou uma das testemunhas que seguia a bordo da mesma embarcação à agência de notícias italiana Ansa.

A imprensa italiana tem dado vários detalhes sobre as cinco vítimas, sendo que o corpo de Gianluca Benedetti, de 44 anos, foi o único a ser resgatado até ao momento.

Quem são as cinco vítimas?

Monica Montefalcone - professora de Ecologia

Uma das vítimas é Monica Montefalcone, de 52 anos, natural de Milão. Era uma professora associada de Ecologia na Universidade de Gênova, em Itália. Era também um rosto conhecido do público da televisão.

Trabalhava como investigadora do meio aquático e marinho, sendo conhecida pelo seu grande amor por esse meio. Participou em vários projetos importantes nesse âmbito, como o projeto Talassa, focado na preservação da biodiversidade marinha, na redução das capturas acidentais de fauna e na promoção da pesca sustentável no Mediterrâneo ou o projeto MER 'A16-A18', uma intervenção científica de grande escala no âmbito do PNRR (Plano Nacional de Recuperação e Resiliência) em Itália.

Monica estava nas Maldivas como coordenadora de um projeto de pesquisa com outros colegas, incluindo Muriel Oddenino, assistente de pesquisa da mesma universidade, e que é também uma das vítimas.

Muriel Oddenino - Assistente de pesquisa na Universidade de Gênova

Oddenino, de 31 anos, natural de Poirino, Turim, foi coautora de pesquisas científicas relacionadas com a conservação de ecossistemas marinhos.

Estava nas Maldivas com Monica Montefalcone, mas a expedição subaquática onde acabaram por morrer não estava relacionada com nenhum projeto específico, de acordo com a imprensa italiana.

Giorgia Sommacal - filha de Monica Montefalcone

Giorgia morreu na mesma expedição que a mãe, Monica. Iria completar 23 anos no próximo mês.

Estudou engenharia biomédica na Universidade de Gênova e compartilhava com a mãe a mesma paixão pelo mar.

Gianluca Benedetti - Instrutor de mergulho

Este foi o único corpo já recuperado ainda na sexta-feira. Gianluca, de 44 anos, era instrutor de mergulho e gerente de barcos. Natural de Pádua, decidiu explorar novos caminhos após uma carreira no mundo financeiro, tendo-se dedicado ao mergulho.

Foi pela primeira vez às Maldivas no âmbito de pesquisa em 2017, e ficou lá durante sete anos, entre idas a outros países, incluindo à Indonésia, para o mesmo fim.

Federico Gualtieri - Instrutor de mergulho

Federico, de 31 anos, era também instrutor de mergulho e formado em Biologia Marinha e Ecologia. Natural de Omegna, uma região no norte de Itália, Gualtieri dedicou a sua dissertação à "Diversidade e Ecologia de Corallimorphari e Zoanthari nos Atóis Centrais das Maldivas". Tinha o certificado de instrutor certificado de mergulho pela Professional Association of Diving Instructors (PADI).

Várias fotografias nas suas redes sociais são dedicadas à biologia marinha nas Maldivas.

A operação de resgate tem sido considerada de "alto risco", uma vez que apenas mergulhadores muito experientes conseguem atingir profundidades que permitam a busca pelos corpos na gruta onde terão morrido os cinco italianos que, recorde-se, estava entre os 50 e 60 metros de profundidade.

A "operação de alto risco" para recuperação dos corpos teve de parar durante na sexta-feira, devido ao mau tempo, com vento forte e alerta amarelo, mas já foi retomada, tendo sido resgatado Gianluca Benedetti, de 31 anos, no interior da gruta, a cerca de 60 metros de profundidade, segundo a imprensa local.

No sábado, voltou a ser interrompida devido à morte do sargento Mohamed Mahdhee durante as operações de resgate.

O mau tempo foi o primeiro motivo apontado para o risco da expedição, mas uma das testemunhas explicou ao Corriere della Sera que, na manhã de quinta-feira, as condições meteorológicas não eram adversa - "pelo contrário, pioraram depois".

Além do resgate dos corpos, as autoridades investigam agora se a embarcação Duke of York cumpria todos os requisitos legais de mergulho, nomeadamente o limite de 30 metros de profundidade (sendo proíbido ir a uma profundidade maior) e todas as licenças exigidas para aquele tipo de expedição.

Este é já considerado o "pior acidente" relacionado com mergulho nas Maldivas.