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A prática parece inadmissível aos dias de hoje: e é por isso que o parlamento dinamarquês decretou uma indemnização de cerca de 47 mil dólares (cerca de 40 mil euros) a todas as mulheres e raparigas da Groenlândia a quem foram colocados dispositivos contraceptivos intrauterinos sem o seu consentimento.
A prática remete à década de 1960 - mas prolongou-se durante as décadas seguintes, até 1990.
Uma campanha das autoridades dinamarquesas para alegadamente “controlar o crescimento da população da ilha” foi longe demais.
Uma investigação do The New York Times revelou que foram colocados dispositivos contraceptivos intrauterinos (DIU) sem o seu conhecimento. Algumas das vítimas tinham apenas 12 anos.
Muitas destas mulheres, quase 4 mil segundo um relatório publicado em 2025, só descobriram o que tinha acontecido vários anos mais tarde, depois de surgirem dores ou outros problemas de saúde.
A intervenção sem consentimento causou inúmeras complicações, nomeadamente problemas de fertilidade permanentes.
Recorde-se que a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já se tinha manifestado perante este assunto. “Em nome da Dinamarca, gostaria de pedir desculpa”, afirmou.
Como funcionará a indemnização?
As mulheres lesadas podem solicitar uma indemnização única: precisam apenas de apresentar um pedido onde descrevem tudo o que lhes aconteceu.
"Sabemos que pode ser sensível para a mulher descrever o que aconteceu, mas precisamos de ouvir aquilo de que a mulher se consegue lembrar para podermos tomar uma decisão sobre o caso", explicou Trine Berner Madsen, uma responsável pelo processo, citada pelo jornal norte-americano.