quarta-feira, 09 set. 2026

Uma prática que durou décadas: Dinamarca vai pagar às mulheres que receberam dispositivo contracetivo sem consentimento na Gronelândia

Durante décadas, milhares de mulheres e raparigas da Gronelândia receberam dispositivos intrauterinos (DIU) sem saberem e sem darem consentimento. Algumas só descobriram anos mais tarde, depois de sofrerem dores e outros problemas de saúde.
Uma prática que durou décadas: Dinamarca vai pagar às mulheres que receberam dispositivo contracetivo sem consentimento na Gronelândia

A prática parece inadmissível aos dias de hoje: e é por isso que o parlamento dinamarquês decretou uma indemnização de cerca de 47 mil dólares (cerca de 40 mil euros) a todas as mulheres e raparigas da Groenlândia a quem foram colocados dispositivos contraceptivos intrauterinos sem o seu consentimento.

A prática remete à década de 1960 - mas prolongou-se durante as décadas seguintes, até 1990.

Uma campanha das autoridades dinamarquesas para alegadamente “controlar o crescimento da população da ilha” foi longe demais. 

Uma investigação do The New York Times revelou que foram colocados dispositivos contraceptivos intrauterinos (DIU) sem o seu conhecimento. Algumas das vítimas tinham apenas 12 anos. 

Muitas destas mulheres, quase 4 mil segundo um relatório publicado em 2025, só descobriram o que tinha acontecido vários anos mais tarde, depois de surgirem dores ou outros problemas de saúde.

A intervenção sem consentimento causou inúmeras complicações, nomeadamente problemas de fertilidade permanentes.

Recorde-se que a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já se tinha manifestado perante este assunto. “Em nome da Dinamarca, gostaria de pedir desculpa”, afirmou.

Como funcionará a indemnização?

As mulheres lesadas podem solicitar uma indemnização única: precisam apenas de apresentar um pedido onde descrevem tudo o que lhes aconteceu.

"Sabemos que pode ser sensível para a mulher descrever o que aconteceu, mas precisamos de ouvir aquilo de que a mulher se consegue lembrar para podermos tomar uma decisão sobre o caso", explicou Trine Berner Madsen, uma responsável pelo processo, citada pelo jornal norte-americano.