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Uma em cada quatro vítimas de tráfico humano identificadas no mundo é uma criança. O alerta foi lançado esta quinta-feira pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que apela aos governos para colocarem o combate a este crime no topo das prioridades políticas.
A posição foi apresentada na 6.ª Conferência Global sobre a Eliminação do Trabalho Infantil, que decorre até sexta-feira, em Marraquexe, Marrocos, reunindo governos, agências da ONU empresas e organizações da sociedade civil.
Mais de 125 mil vítimas identificadas
Segundo os dados oficiais mais recentes citados pela OIM, foram identificadas mais de 125 mil vítimas de tráfico humano em todo o mundo, número que a organização considera estar muito abaixo da realidade devido à subnotificação e às dificuldades na deteção dos casos.
Entre as vítimas identificadas, cerca de 30 mil são crianças, todas sujeitas a exploração, incluindo trabalho infantil.
A OIM sublinha que os dados disponíveis são ainda insuficientes e defende um reforço urgente dos mecanismos de recolha de informação, investigação criminal e cooperação transfronteiriça.
Crianças migrantes em risco acrescido
A diretora-geral da OIM, Amy Pope, alertou para a vulnerabilidade das crianças em contexto migratório.
“Milhões de crianças em movimento enfrentam riscos acrescidos de exploração e tráfico, mas permanecem, muitas vezes, invisíveis nas políticas globais e nos sistemas de proteção”, afirmou, numa mensagem em vídeo transmitida na conferência.
A responsável defendeu uma resposta coordenada entre países e setores: “Precisamos de agir agora — além-fronteiras e em todos os setores — para colmatar estas alarmantes lacunas de proteção e garantir que todas as crianças, em todo o lado, estão seguras.”
Apelo à cooperação internacional
A conferência é organizada pelo Governo de Marrocos e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e tem como objetivo acelerar medidas para eliminar o trabalho infantil a nível global.
Para a OIM, é essencial integrar as políticas de migração, combate ao tráfico de pessoas e erradicação do trabalho infantil numa abordagem conjunta. A organização destaca como exemplo positivo a cooperação desenvolvida com países do Leste e do Corno de África e do Norte de África.
A agência das Nações Unidas insiste que, sem uma ação coordenada e baseada em dados robustos, milhões de crianças continuarão expostas a redes criminosas que operam além-fronteiras e exploram as fragilidades dos sistemas de proteção.