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"Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada." A frase é de Donald Trump, publicada esta terça-feira na sua rede social Truth Social, e resume o tom do ultimato mais extremo que o Presidente dos Estados Unidos dirigiu ao Irão desde o início do conflito, há seis semanas.
"Não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai acontecer", escreveu Trump, antes de deixar uma porta entreaberta ao admitir que "talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer". O texto termina com a frase "Deus abençoe o grande povo do Irão", dirigida aos cidadãos, não ao regime, e classifica o momento como "um dos mais importantes da longa e complexa história do mundo". Os "47 anos de extorsão, corrupção e morte" a que alude são uma referência directa à República Islâmica, instituída após a revolução de 1979.
Um conflito que já dura há seis semanas
Trump anunciou "operações de combate de grande escala" contra o Irão a 28 de Fevereiro, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel a instalações militares e governamentais. Desde então, a guerra escalou de forma progressiva e o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial, permanece efectivamente bloqueado pelo Irão.
O prazo fixado por Trump para a reabertura do Estreito expira esta madrugada à 01h00 (hora de Lisboa). Caso não seja cumprido, o presidente americano ameaçou destruir infra-estruturas civis iranianas, incluindo centrais eléctricas e pontes. Os bombardeamentos já não são apenas ameaças: na madrugada desta terça-feira, os Estados Unidos atacaram alvos militares na ilha de Kharg, o principal terminal de exportação de petróleo do Irão, segundo um responsável americano. Pelo menos 18 pessoas, entre as quais duas crianças, morreram em ataques aéreos a zonas residenciais na província de Alborz, no norte do país.
Teerão recusa negociar sob pressão
A posição iraniana mantém-se intransigente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou o plano de paz de 15 pontos proposto pelos EUA, classificando-o de "irrealista" e afirmando que o Irão "recusa firmemente qualquer negociação conduzida à sombra de sanções ilegais, ameaças militares ou coerção". Uma proposta de cessar-fogo de 45 dias apresentada por mediadores do Egipto, do Paquistão e da Turquia foi igualmente recusada por ambas as partes.
O Qatar alertou esta terça-feira que o conflito está próximo de um limiar a partir do qual deixa de poder ser controlado. O chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, foi ainda mais directo ao afirmar que a crise no abastecimento energético provocada pelo bloqueio ao Estreito de Ormuz é a mais grave de que há registo, superando as de 1973, 1979 e 2002 em conjunto.
O prazo expira esta madrugada. O mundo aguarda.