sexta-feira, 07 ago. 2026

Um caso em 15 milhões: mulher dá à luz quadrigémeas idênticas concebidas de forma natural

Uma australiana de 34 anos deu à luz quatro meninas geneticamente idênticas, concebidas naturalmente a partir de um único óvulo fecundado e que partilhavam a mesma placenta. O nascimento das quadrigémeas, ocorrido às 28 semanas e quatro dias de gestação, é considerado um caso de extrema raridade pelos médicos, com uma probabilidade estimada de uma em cada 15 milhões de gravidezes
Um caso em 15 milhões: mulher dá à luz quadrigémeas idênticas concebidas de forma natural

Uma mulher australiana deu à luz quatro meninas geneticamente idênticas, concebidas naturalmente a partir de um único óvulo fecundado e que partilhavam a mesma placenta, num dos casos mais raros deste tipo conhecidos no mundo.

Emily, Harriet, Alexa e Catherine Na'amoana nasceram por cesariana, a 14 de julho, às 28 semanas e quatro dias de gestação, no Royal Brisbane and Women's Hospital (RBWH), em Brisbane, na Austrália, segundo a ABC News.

As quatro bebés são quadrigémeas monozigóticas, o que significa que resultaram da divisão de um único óvulo fecundado em quatro embriões. São, por isso, geneticamente idênticas. As meninas partilhavam a mesma placenta, embora cada uma se encontrasse no seu próprio saco amniótico, numa gravidez classificada como monocoriónica quadriamniótica.

A mãe, Jenitar Na'amoana, de 34 anos, e o marido, Jortham, já tinham quatro filhos, com idades entre um e dez anos, e não tinham planeado aumentar a família. Com o nascimento das quatro meninas, o casal passou a ter oito filhos.

"Uma em cada 15 milhões de gravidezes"

Alexa Bendall, especialista em medicina materno-fetal e obstetra do RBWH, acompanhou Jenitar desde uma fase inicial da gravidez e classificou a gestação como de "risco muito, muito elevado".

A médica estima que a ocorrência de quadrigémeos monozigóticos aconteça em cerca de uma em cada 15 milhões de gravidezes. Segundo Bendall, este poderá ser o primeiro caso conhecido na Austrália, existindo apenas um número muito reduzido de situações comparáveis documentadas noutros países.

"Mas partilharem a mesma placenta — isso é inédito", afirmou a especialista, citada pela ABC News.

A gravidez exigiu uma vigilância médica apertada. Jenitar foi internada no hospital às 25 semanas de gestação para ser acompanhada de perto devido ao elevado risco associado à gravidez.

"Dissemos sempre que, se conseguíssemos chegar às 28 semanas, estaríamos a fazer um bom trabalho", explicou Bendall.

O parto acabou por ocorrer às 28 semanas e quatro dias, com a médica a considerar "incrível" o facto de as quatro bebés terem nascido saudáveis.

Quatro bebés nasceram com cerca de um quilograma

As quatro meninas foram encaminhadas para a unidade de cuidados intensivos neonatais do hospital, onde permanecem até atingirem uma idade gestacional mais próxima do termo.

Segundo o hospital, as bebés estão a evoluir "extremamente bem".

Emily nasceu com 1.025 gramas, Harriet com 1.121 gramas, Alexa com 1.120 gramas e Catherine, a mais pesada, com 1.151 gramas.

O parto envolveu uma operação de grande complexidade, com cerca de 20 profissionais na sala, incluindo parteiras, equipa de anestesia, a obstetra e o médico assistente, uma enfermeira de bloco operatório e quatro equipas de neonatologia, uma para cada bebé.

Uma das meninas recebeu o nome Alexa, em homenagem à médica que acompanhou a mãe durante a gravidez.

"É uma bela homenagem", afirmou Bendall.

Partilhar uma placenta aumenta os riscos

A gravidez de Jenitar apresentava riscos acrescidos pelo facto de as quatro bebés partilharem uma única placenta. Nestas situações, as ligações entre os vasos sanguíneos podem provocar desequilíbrios na distribuição de sangue e nutrientes entre os fetos, aumentando o risco de complicações e de diferenças no crescimento.

Neste caso, apesar da placenta ser partilhada, cada uma das meninas desenvolveu-se num saco amniótico separado.

Os quadrigémeos podem resultar de diferentes combinações. Podem ser concebidos a partir de quatro óvulos fecundados, de um único óvulo que se divide em quatro embriões ou de uma combinação destes processos.

A divisão de um único óvulo fecundado em quatro embriões, como aconteceu neste caso na Austrália, é uma das formas mais raras de quadrigemeidade e dá origem a bebés do mesmo sexo e geneticamente idênticos.

Família lança angariação de fundos

Com oito filhos, a família enfrenta agora novos desafios logísticos e financeiros. A mãe lançou uma campanha de angariação de fundos online para ajudar a comprar uma carrinha com pelo menos dez lugares, capaz de transportar toda a família.

"Os nossos quatro preciosos milagres chegaram em segurança e, embora os nossos corações estejam cheios de gratidão, a realidade de cuidar de quatro recém-nascidos ao mesmo tempo trouxe desafios que nunca poderíamos ter imaginado", escreveu Jenitar na página da campanha.

A angariação de fundos já tinha ultrapassado os 37 mil dólares australianos em donativos.