O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou esta terça-feira a defender que a Gronelândia deveria passar para o controlo de Washington, argumentando que o território tem uma importância estratégica para a segurança norte-americana e para a NATO.
Falando aos jornalistas à margem da cimeira da NATO, em Ancara, depois de um encontro com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, Trump voltou também a sugerir que poderá retirar as tropas norte-americanas destacadas na Europa.
"Podemos retirar todos os nossos soldados da Europa porque a Europa é um sítio muito diferente de há 20 anos", afirmou.
Trump insiste que a Gronelândia deve ser controlada pelos EUA
O chefe de Estado norte-americano considerou que a atual situação da Gronelândia prejudica a relação entre Washington e os aliados da NATO.
Segundo Trump, a Dinamarca não investe o suficiente no território autónomo, que classificou como estratégico devido à sua localização no Ártico.
"A Gronelândia devia ser controlada pelos EUA e não pela Dinamarca", declarou, reiterando uma posição que já tinha defendido anteriormente.
O Presidente recordou ainda que, em janeiro, admitiu mesmo recorrer à força militar para anexar o território, uma hipótese que foi rejeitada por Copenhaga e pelos restantes aliados da NATO.
Trump aproveitou ainda para deixar críticas à Europa, afirmando que o continente deve ter "cuidado com a imigração e a energia", sob pena de "já não existir mais Europa".
Trump diz que Rússia e Ucrânia querem negociar
Questionado sobre a guerra na Ucrânia, Trump afirmou acreditar que tanto Vladimir Putin como Volodymyr Zelensky pretendem alcançar um acordo de paz.
O Presidente norte-americano revelou ter mantido recentemente uma "boa conversa" com Putin e, logo depois, com Zelensky.
Considerou ainda "de doidos" que cerca de 35 mil soldados tenham morrido no último mês devido ao conflito.
EUA ponderam vender caças F-35 à Turquia
Durante a mesma deslocação, Trump confirmou que a sua administração está a analisar a possibilidade de vender caças Lockheed Martin F-35 Lightning II à Turquia.
"É certamente algo que voltaremos a considerar", afirmou, elogiando aquele que classificou como "o melhor avião" atualmente disponível.
A eventual venda representa uma mudança de posição dos Estados Unidos, que retiraram Ancara do programa F-35 em 2019, após a compra do sistema russo de defesa antiaérea S-400.
Por seu lado, Erdoğan revelou que recebeu de Trump um "compromisso" relativamente ao futuro do programa F-35 e mostrou-se confiante numa decisão favorável.
Israel opõe-se ao negócio
A possibilidade de venda dos caças foi criticada por Benjamin Netanyahu, que pediu aos Estados Unidos para não autorizarem a transferência dos F-35 nem dos respetivos motores para a Turquia.
Segundo o primeiro-ministro israelita, a operação poderá alterar o equilíbrio militar na região.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, reiterou que Telavive considera essencial preservar a vantagem militar qualitativa israelita.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco classificou as críticas de Israel como "acusações sem qualquer fundamento" e acusou o Governo de Netanyahu de promover uma campanha de desinformação para desviar atenções da guerra em Gaza.