segunda-feira, 13 abr. 2026

Trump demite procuradora-geral Pam Bondi após polémicas e tensões internas no Departamento de Justiça

O presidente dos EUA decidiu a demissão na sequência de crescentes divergências sobre investigações sensíveis e alegada falta de resultados contra adversários políticos
Trump demite procuradora-geral Pam Bondi após polémicas e tensões internas no Departamento de Justiça

O presidente norte-americano, Donald Trump, afastou do cargo a procuradora-geral Pam Bondi, numa decisão marcada por tensões acumuladas no seio do Departamento de Justiça. A informação foi avançada pela CNN e depois confirmada pelo chefe de Estado.

Bondi será substituída interinamente pelo atual procurador-geral adjunto, Todd Blanche, enquanto a Casa Branca pondera uma solução permanente.

Nos dias que antecederam a demissão, Trump terá discutido com aliados a possibilidade de afastar Bondi, tendo mesmo abordado diretamente o tema numa reunião considerada “dura”. Nessa conversa, o presidente terá indicado que a procuradora não permaneceria muito mais tempo no cargo, admitindo substituí-la em breve.

Apesar do afastamento, terá sido sugerido a Bondi que poderá vir a assumir outras funções no futuro, incluindo uma eventual nomeação para juíza.

Entre os principais motivos de descontentamento de Trump está a condução dos processos relacionados com Jeffrey Epstein, bem como a perceção de falta de ação judicial contra adversários políticos.

A gestão do caso Epstein tem sido particularmente polémica. Declarações anteriores de Bondi, nomeadamente sobre a existência de uma alegada lista de clientes do financeiro, acabaram por gerar controvérsia e críticas, após o próprio Departamento de Justiça ter negado a existência de tal documento.

Além disso, Bondi enfrenta uma intimação da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes para prestar depoimento sobre o tema ainda este mês, o que aumentou a pressão política em torno do seu mandato.

Investigações sensíveis e frustração presidencial

Outro ponto de fricção prende-se com investigações envolvendo figuras como John Brennan, antigo diretor da CIA, suspeito de alegadamente ter prestado falsas declarações ao Congresso sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Apesar de procuradores de carreira terem considerado o caso pouco sólido, o Departamento de Justiça continuava a explorar possíveis acusações — uma situação que terá contribuído para a frustração de Trump.

Também tentativas de avançar com processos contra o ex-diretor do FBI, James Comey, e a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, acabaram por falhar em tribunal, após decisões judiciais desfavoráveis.

Embora Todd Blanche assuma funções interinas, Trump estará a considerar novos nomes para liderar o Departamento de Justiça, incluindo o atual responsável pela Agência de Proteção Ambiental, Lee Zeldin.

A possibilidade de Zeldin assumir o cargo já tinha sido equacionada no início do ano, mas voltou recentemente à agenda política, acompanhando rumores crescentes sobre a fragilidade da posição de Bondi.

Nas últimas semanas, Bondi terá intensificado a sua proximidade com Trump, acompanhando-o em eventos oficiais, numa tentativa de reforçar a sua posição — uma estratégia que contrasta com a adotada por outros membros da anterior administração, que optaram por se distanciar quando perderam influência junto do presidente.

Ainda assim, a crescente pressão política, os casos mediáticos e a perceção de desalinhamento estratégico acabaram por ditar o seu afastamento, abrindo mais um capítulo de instabilidade no sistema judicial norte-americano sob a liderança de Trump.