O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deu instruções às Forças Armadas norte-americanas para lançarem um ataque de grande escala contra o Irão caso Teerão tente assassiná-lo.
Numa publicação na rede social Truth Social, Trump garantiu que "1.000 mísseis estão prontos para disparar" contra a República Islâmica e que "milhares mais" seriam lançados de imediato se a ameaça fosse concretizada.
"1.000 mísseis estão prontos para disparar e apontados para a República Islâmica do Irão, com mais milhares a seguir-se imediatamente, caso o Governo iraniano concretize a sua ameaça (...) de assassinar, ou tentar assassinar, o atual Presidente dos Estados Unidos da América", escreveu.
O líder norte-americano acrescentou que as ordens "já foram dadas" e que as forças militares dos EUA estão preparadas para "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irão" caso seja alvo de um atentado.
Declarações surgem após ameaças no funeral de Khamenei
As declarações foram feitas depois de, durante o funeral do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, vários participantes terem exibido cartazes e entoado palavras de ordem apelando à morte de Trump e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Segundo a administração norte-americana, Washington também exigiu que Teerão emitisse uma declaração pública garantindo que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto à navegação internacional e que os navios deixarão de ser alvo de ataques.
O Irão continua, porém, a defender que mantém o controlo sobre aquela rota estratégica e pretende cobrar taxas aos navios que a atravessam, contrariando o entendimento internacional de que se trata de uma via marítima aberta à navegação.
Trump diz estar "há muito tempo" na lista de alvos do Irão
Horas antes da publicação na Truth Social, Trump afirmou, numa entrevista ao New York Post, que acredita estar há vários anos entre os principais alvos do regime iraniano.
"Ando na lista deles há muito tempo. É com isso que estamos a lidar", afirmou.
Questionado sobre notícias que dão conta de um alegado plano iraniano para o assassinar, transmitido por Israel aos serviços de informações norte-americanos, Trump respondeu que Israel não lhe apresentou qualquer informação diretamente, mas reiterou a convicção de que Teerão pretende eliminá-lo.
Informações dos serviços secretos aumentam tensão
As declarações surgem depois de o Wall Street Journal e a CNN noticiarem, com base em fontes anónimas, que Israel terá partilhado com Washington informações dos seus serviços secretos sobre um alegado novo plano iraniano para assassinar o Presidente norte-americano.
A Casa Branca não confirmou nem desmentiu essas notícias, remetendo apenas para declarações anteriores de Trump, nas quais afirmou estar "em todas as listas" de potenciais alvos do regime iraniano.
Entretanto, o New York Times noticiou que Trump regressou da cimeira da NATO, realizada em Ancara, a bordo do antigo avião presidencial, alegadamente por razões de segurança, numa altura em que persistem fortes tensões entre os Estados Unidos, o Irão e Israel.
As novas ameaças de Washington surgem num contexto de elevada instabilidade no Médio Oriente, após semanas marcadas por ataques aéreos entre os dois países, represálias iranianas e um cessar-fogo que continua a ser considerado frágil.