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A dimensão da tragédia provocada pelos dois sismos que atingiram a Venezuela continua a aumentar. O novo balanço divulgado pelas autoridades venezuelanas aponta para 929 mortos e 3360 feridos, números que deverão ainda subir devido à continuação das operações de busca e salvamento nas zonas mais afetadas.
Entre as vítimas estão pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes, segundo revelou o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa. Há ainda 85 pessoas dadas como desaparecidas ou incontactáveis, sem confirmação sobre o seu estado.
Os dois terramotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira e provocaram destruição em várias regiões do país, com especial impacto no estado de La Guaira, no norte, considerado o mais afetado.
Centenas de pessoas continuam desaparecidas após os sismos
As autoridades venezuelanas admitem que o número de vítimas mortais pode continuar a aumentar, uma vez que ainda existem centenas de pessoas desaparecidas e muitas poderão estar soterradas nos escombros.
O anterior balanço oficial apontava para 589 mortos e 2980 feridos, mas as equipas de emergência continuam a retirar vítimas das zonas destruídas.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, anunciou que o estado de La Guaira foi "totalmente militarizado" para garantir a organização das operações de socorro.
"Queremos enviar uma mensagem clara e pedir a todos os que desejam ajudar que não desçam até La Guaira, porque, embora compreendamos o enorme desejo de ajudar os outros, isso também significa que as estradas por onde estamos a retirar os afetados e feridos ficarão congestionadas", afirmou.
Novo sismo volta a atingir a Venezuela
A situação no país voltou a agravar-se esta sexta-feira com um novo sismo. O Centro de Sismologia Euro-Mediterrâneo registou um abalo de magnitude 4,9 no estado de Aragua, a cerca de 86 quilómetros de Caracas.
O sismo ocorreu às 18h16 locais, 23h16 em Portugal continental, a uma profundidade de 10 quilómetros, tendo sido sentido em cidades como Maracay e Caracas.
O novo tremor aconteceu dois dias depois dos dois grandes abalos que deixaram já centenas de mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de pessoas afetadas.
Portugal envia força de emergência para apoiar operações de salvamento
Portugal acionou a Força Conjunta Nacional para apoiar as operações de busca, salvamento e primeiros socorros na Venezuela.
A equipa portuguesa, composta por 64 operacionais da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), partiu da Base Aérea 11, em Beja, a bordo de dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa.
A missão leva ainda cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária destinada às populações afetadas pelos sismos.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a força reúne capacidades especializadas em operações de busca e salvamento, recuperação de vítimas, resposta a catástrofes e apoio médico de emergência.
"Há 28 mortos entre portugueses e lusodescendentes"
Antes da partida dos aviões, Emídio Sousa atualizou o balanço relativo à comunidade portuguesa na Venezuela.
"Há 28 mortos entre portugueses e lusodescendentes, estando 85 pessoas incontactáveis, desconhecendo se estão vivos ou mortos. Temos uma comunidade muito expressiva na Venezuela. Segundo os registos no Consulado em Caracas, há 220 mil portugueses no país", afirmou o secretário de Estado das Comunidades.
O governante destacou ainda a forte ligação da comunidade portuguesa à Madeira, admitindo que muitos dos afetados poderão ter origem naquela região.
"É provável que grande parte das vítimas seja daquela região, mas ainda é cedo para se perceber a longitude dessa tragédia", disse.
A equipa portuguesa deverá permanecer no terreno durante 10 dias, período que poderá ser prolongado caso seja necessário.
"Deverá chegar às 10 horas à Venezuela e de imediato irão para o terreno. Estarão ao serviço da Força Conjunta Internacional durante 10 dias, prazo que poderá ser prolongado", explicou Emídio Sousa.
"O objetivo é encontrar pessoas com vida"
Hugo Santos, comandante operacional da Força Conjunta Nacional, explicou que a missão portuguesa foi preparada em menos de 24 horas.
"Desde o início do pedido até ao momento em que nos encontramos, a prontidão e resposta foi inferior a 24 horas", afirmou.
O responsável explicou que a prioridade inicial será garantir a segurança da equipa e instalar a base operacional antes do início dos trabalhos no terreno.
"É chegar em segurança. Depois, com os contatos já desenvolvidos localmente, é montar a base operacional e ir para o terreno ajudar, já que é essa a nossa missão", acrescentou.
Também Ana Correia, médica do INEM e coordenadora da equipa, explicou a composição do grupo médico.
"Vão seguir dois médicos, dois enfermeiros, dois técnicos, um emergência e um de logística, e um psicológico. Temos noção do que vamos encontrar e o objetivo é encontrar pessoas com vida", afirmou.
A médica acrescentou que a equipa está preparada para apoiar tanto as vítimas como os próprios operacionais envolvidos nas operações.
"Temos também como missão dar apoio e garantir as condições de saúde e apoio médico à equipa que vai para o terreno", disse, garantindo: "Estamos prontos para tudo".
Tragédia atinge comunidade portuguesa na Venezuela
A Venezuela tem uma das maiores comunidades portuguesas fora da Europa, com forte presença de cidadãos oriundos sobretudo da Madeira.
Perante a dimensão da catástrofe, Portugal mobilizou meios de emergência, defesa e saúde numa operação conjunta que envolve o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ministério da Defesa Nacional, Ministério da Administração Interna e Ministério da Saúde.
A prioridade das equipas internacionais passa agora por localizar sobreviventes, retirar vítimas dos escombros e prestar assistência às populações afetadas.