Uma menina de seis anos morreu depois de ser atingida na cabeça por uma parte metálica de uma raquete de badminton que se soltou durante um jogo entre os irmãos. O acidente aconteceu em junho de 2024, durante umas férias da família no estado norte-americano do Maine.
Dois anos depois da morte de Lucy Morgan, a família decidiu avançar para tribunal contra a empresa que fabricou a raquete, alegando que o equipamento apresentava defeitos e não tinha mecanismos de segurança suficientes para impedir que a haste metálica se transformasse num projétil em caso de quebra.
O acidente aconteceu a 1 de junho de 2024, numa casa de férias situada em North Shore Drive, na localidade de Limerick. Lucy encontrava-se junto dos irmãos enquanto estes jogavam badminton no exterior.
Segundo a investigação da Polícia Estatal do Maine, um dos irmãos, de dez anos, estava a utilizar a raquete quando a haste de alumínio se soltou da pega de madeira. A peça atingiu Lucy na cabeça, atravessando o crânio.
Os serviços de emergência foram chamados por volta do meio-dia. A criança foi inicialmente transportada para uma unidade hospitalar em Sanford e, posteriormente, transferida de helicóptero para o Maine Medical Center, em Portland.
Apesar dos esforços médicos, Lucy não resistiu aos ferimentos e morreu quatro dias depois, a 5 de junho de 2024.
Família processa fabricante da raquete
O caso regressou agora à atualidade depois de os pais de Lucy terem apresentado uma ação judicial por morte por negligência e defeito do produto contra a Franklin Sports, empresa responsável pelo fabrico da raquete.
A ação, apresentada no Tribunal Superior do condado de York, no Maine, sustenta que o equipamento era "defective and unreasonably dangerous", ou seja, defeituoso e excessivamente perigoso, segundo a acusação apresentada pela família.
Segundo a queixa, obtida pela revista People, os familiares alegam que a ligação entre a haste metálica e a pega não estava devidamente assegurada e que o adesivo utilizado para unir os componentes era inadequado. A ação refere ainda a inexistência de um mecanismo secundário que pudesse impedir que a parte metálica se soltasse e fosse projetada para a frente caso a ligação principal falhasse.
A família acusa ainda a empresa de não ter alertado os consumidores para a possibilidade de a haste se separar da pega durante uma utilização normal.
Os advogados sustentam também que a empresa já teria conhecimento de um incidente anterior, ocorrido em Nova Iorque, no qual outra criança teria perdido um olho por causa de uma raquete da mesma marca. Essa alegação faz parte da posição apresentada pela família no processo e terá agora de ser apreciada no âmbito da ação judicial.
"O pior pesadelo de um pai"
Travis M. Brennan, um dos advogados que representa a família, descreveu o caso como "o pior pesadelo de um pai."
O advogado afirmou ainda: "Estamos empenhados em obter justiça para Lucy, responsabilizando a Franklin Sports. Queremos garantir que estas raquetes são fabricadas de forma a que este tipo de tragédia nunca mais aconteça.”
A família pede uma indemnização ao abrigo da legislação do Maine, incluindo despesas relacionadas com o funeral, perdas financeiras e compensação pelo sofrimento emocional e pela perda de companhia e convivência.
Os irmãos de Lucy, que terão presenciado o acidente, também são abrangidos pelo processo devido ao impacto emocional provocado pela morte da criança.
Franklin Sports responde
Em comunicado ao The Independent, um porta-voz da Franklin Sports afirmou que a empresa não pode comentar as alegações, dado que o processo judicial ainda está em curso.
"A Franklin Sports expressa as suas mais profundas condolências à família de Lucy Morgan e a todos os afetados por este trágico acidente”, disse o porta-voz. “A Franklin Sports leva muito a sério as preocupações com os seus produtos, está empenhada na qualidade e segurança dos mesmos e está a analisar cuidadosamente as circunstâncias que envolvem este incidente."