A justiça indonésia condenou 19 membros de uma rede de tráfico de bebés, composta por 18 mulheres e um homem, que operava entre a Indonésia e Singapura. As penas, que variam entre três e sete anos de prisão, foram aplicadas por um tribunal da cidade de Bandung, na província de Java Ocidental, depois de os arguidos terem sido considerados culpados de integrar um esquema que vendia recém-nascidos a famílias mediante pagamento.
A alegada líder da organização, Lie Siu Luan, de 70 anos, terá sido condenada a sete anos de prisão, a pena mais pesada aplicada neste processo. A mulher foi considerada responsável por recrutar mães, acolher bebés e organizar a sua transferência para Singapura.
Os restantes 18 membros receberam penas entre três e sete anos de prisão.
Pelo menos 34 bebés traficados
Segundo a acusação, a rede terá traficado pelo menos 34 bebés entre 2023 e 2025, embora as autoridades admitam que o número real possa ser superior.
Os recém-nascidos eram vendidos por cerca de 250 milhões de rupias indonésias (cerca de 13 mil euros) cada. A maioria seguia para Singapura, mas alguns acabaram também por ser entregues a famílias adotivas dentro da própria Indonésia
Esquema foi descoberto após denúncia de uma mãe
A investigação começou quando uma mãe denunciou o desaparecimento do filho recém-nascido, alegando que uma mulher conhecida através da internet lhe tinha prometido apoio financeiro, acabando por levar o bebé sem nunca o devolver.
A partir dessa denúncia, a polícia descobriu uma organização estruturada, onde cada elemento desempenhava uma função específica: alguns procuravam grávidas em situação vulnerável, outros tratavam dos bebés após o nascimento e havia ainda quem fosse responsável pela obtenção de documentos de identidade e passaportes para facilitar a saída das crianças do país.
Durante a operação policial, vários bebés foram resgatados.
Até ao momento, nenhum dos pais foi processado, nem se sabe se estão a ser investigados pelas autoridades.