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As teorias da conspiração que envolvem Donald Trump multiplicam-se até mesmo quando nada de especial aconteceu. Mas o tiroteio no jantar de correspondentes na Casa Branca reacendeu os utilizadores nas redes sociais que apontam para uma encenação do momento.
Quem reuniu as teorias foi o The New York Times, que as relata como "especulações à procura de atenção e seguidores".
Recorde-se que Donald Trump já foi alvo de outras duas tentativas de homicídio noutros eventos, também alvo de várias teorias, além da captura do antigo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Em todas as redes sociais é possível encontrar publicações onde a teoria de que foi um momento encenado prevalece: e garantem ter evidências, justificando-o como uma tentativa de Trump de desviar atenções para os "números maus" das pesquisas sobre a guerra com o Irão.
O jornal norte-americano destacou que o termo "em etapas" foi publicado em mais de 300 mil publicações na rede social X até às 12h00 de domingo, citando a empresa TweetBinder, que analisa as redes sociais.
Já o termo "encenado" foi igualmente publicado em 300 mil mensagens na mesma rede social, sendo que até ao momento do ataque não teria sido utilizado em mais de 60 mil publicações.
Outros utilizadores garantiram que o atirador estava ligado a causas israelitas, usando mesmo imagens aparentemente manipuladas por Interligência Artificial. Inclusive, a RT, um canal estatal russo, ampliou algumas dessas teorias.
O foco para justificar a possível encenação está nas declarações de uma jornalista no jantar dos Correspondentes. Aish Hasnie, repórter da Fox News, terá sido interrompida, enquanto afirmava que o marido lhe disse para "ter muito cuidado" antes do tiroteio acontecer.
No entanto, a jornalista já esclareceu o sucedido: a sua chamada terá caído enquanto estava em direto devido à rede do seu telemóvel que falhou, acrescentando que o marido se referia à sua segurança no geral porque "o mundo está louco". “Ele estava a manifestar a sua preocupação com a minha segurança", garantiu.
No entanto, as teorias da conspiração não terminaram com essa justificação: Angelo Carusone, presidente da associação sem fins lucrativos Media Matters sublinhou que foi uma situação "estranha". "Não quero alimentar teorias da conspiração. Mas, quer dizer… isto foi super estranho. Super estranho", escreveu.
Além da jornalista, foi Karoline Leavitt que levantou suspeitas. Antes do jantar, em declarações aos jornalistas, a porta-voz da Casa Branca utilizou uma expressão que depois se tornou demasiado real. " “No discurso de hoje à noite vamos ter o Donald Trump clássico. Será engraçado, será divertido. Esta noite vão ser disparados alguns tiros no salão", tradução do inglês "there will be some shots fired in the room tonight". Claro que, á partida, esta expressão significava comentários, provocações dirigidas pelo presidente, e não a tiros literais.
"As pessoas estão a remodelar a realidade com base no que querem que seja verdade ou não", explicou Cliff Lampe, professor e vice-reitor de assuntos acadêmicos na Escola de Informação da Universidade de Michigan, ao The New York Times. "Elas não estão à procura de boas informações, estão à procura de informações confirmatórias, e frequentemente vão muito fundo em um buraco de coelho de fotos lado a lado, microimagens do rosto do presidente, etc", continuou.
Apesar da rápida propagação destas narrativas, os factos apontam para um incidente real: um homem armado tentou ultrapassar a segurança e disparou, sendo detido no local, com intervenção imediata das autoridades . Ainda assim, o episódio mostra como, em momentos de crise, a desinformação pode ganhar terreno, alimentada mais por perceções e crenças do que por evidências concretas.