Cláudio Valente, o homem de 48 anos responsável pelo tiroteio na Universidade de Brown em dezembro e pela morte do físico português Nuno Loureiro, deixou quatro vídeos gravados antes de cometer suicídio. A descrição dos vídeos foi agora revelada pelo Ministério Público Federal de Massachussetts.
A polícia federal americana (FBI) revelou que os quatro vídeos foram gravados num dispositivo encontrado ao lado do corpo do homicida no armazém em Salem, New Hampshire, onde foi encontrado morto a 18 de dezembro. Nenhum dos vídeos revela o motivo pelo qual cometeu estes crimes.
Segundo as autoridades, no primeiro dos quatro vídeos, admitia que planeava os crimes há cerca de seis semestres (três anos), mas que, apesar disso, a forma como os cometeu foi “incompetente”. Em nenhum dos vídeos mostrou arrependimento ou pediu desculpa. “Não diria que estou extremamente satisfeito, mas também não me arrependo do que fiz. Não vou pedir desculpas, porque durante a minha vida ninguém me pediu desculpas”, diz Cláudio Valente num dos vídeos gravados em português.
Cláudio Valente revelou ainda que o discurso do presidente norte-americano, Donald Trump, em relação a si foi uma das coisas que mais o agradaram. “Eu sou um animal e ele também”, disse.
No entanto, explica que a narrativa de que tem uma doença mental não é verdade, garantindo que é uma pessoa “sã”, sendo esse discurso uma “desculpa esfarrapada” para os crimes que cometeu.
Cláudio Valente mostra-se ainda reticente em tirar a própria vida, confessando que foi “muito difícil” cometer os homicídios. “Vamos ver se tenho coragem de fazer isto a mim mesmo agora, porque foi muito difícil fazer isto a todas estas pessoas”, admite.
Recorde-se de que Cláudio Valente foi o responsável pelo tiroteio de 13 de dezembro de 2025, no qual matou dois alunos na Universidade de Brown e feriu mais nove, tendo, dois dias depois, matado o físico português e antigo colega Nuno Loureiro à porta de sua casa em Brookline, Massachusetts.