sexta-feira, 12 jun. 2026

Surto de Ébola no Congo já soma mais de 220 mortes suspeitas e chegou ao Uganda

A Organização Mundial da Saúde alerta que o surto de Ébola no leste da República Democrática do Congo já provocou pelo menos 223 mortes suspeitas e mais de 900 casos. No Uganda há sete mortos confirmados, incluindo um caso importado da RDCongo
Surto de Ébola no Congo já soma mais de 220 mortes suspeitas e chegou ao Uganda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta quarta-feira que o surto de Ébola no leste da República Democrática do Congo já provocou pelo menos 223 “mortes suspeitas” desde a declaração oficial da epidemia, a 15 de maio.

A agência das Nações Unidas indica que, até 24 de maio, tinham sido registados 906 casos suspeitos da doença e das 295 amostras analisadas em laboratório, 105 casos foram confirmados, incluindo 10 mortes.

O epicentro do surto continua localizado na província de Ituri, que concentra quase 90% dos casos confirmados e mais de 91% das mortes suspeitas. Os restantes casos confirmados distribuem-se pelas províncias de Quénia do Norte e Quénia do Sul.

Segundo a OMS, foram identificados 2.231 contactos de pessoas infetadas, embora o rastreio continue a enfrentar “grandes desafios” devido à insegurança, à elevada mobilidade populacional e à dificuldade em acompanhar comunidades mineiras e transfronteiriças.

A agência destaca ainda a escassez de equipas especializadas para rastrear contactos e conter a propagação do vírus. As primeiras análises geoespaciais identificaram corredores de mobilidade ligados à atividade mineira em Ituri como possíveis focos de transmissão silenciosa da doença.

A OMS alertou também para o aumento de incidentes de segurança e resistência das populações locais às medidas sanitárias. Nas zonas de saúde de Mongbwalu e Rwampara foram registados ataques contra centros de saúde, num contexto marcado pela desconfiança, desinformação e rejeição de práticas de enterro seguras.

A situação tornou-se ainda mais complexa devido à ausência de vacinas e tratamentos aprovados para a estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pelo atual surto.Segundo a OMS, esta variante apresenta uma taxa de mortalidade entre 30% e 50%.

O vírus terá começado a circular cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto e na semana passada, a OMS elevou o nível de risco da epidemia de “alto” para “muito alto” na RDCongo e no Uganda, mantendo o risco “alto” para a região da África subsariana e “baixo” à escala global.

No Uganda, o número de casos confirmados subiu para sete, todos registados na capital, Kampala, incluindo um caso importado da RDCongo que resultou numa morte. A OMS alerta ainda que dez países africanos, incluindo Angola, estão em risco elevado devido à proximidade geográfica com as zonas afetadas.

Este é o 17.º surto de Ébola registado na RDCongo desde a descoberta do vírus em 1976. O Ébola transmite-se através do contacto direto com sangue ou fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, podendo causar hemorragias internas e falência de órgãos.