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O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) já provocou 377 mortes e soma 1.307 casos confirmados, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Governo congolês, que voltou a apelar ao cumprimento rigoroso das medidas de prevenção para travar a propagação da doença.
De acordo com o último boletim do Ministério da Comunicação e dos Meios de Comunicação Social, com dados atualizados até 28 de junho, a taxa de letalidade situa-se atualmente nos 28,8%, enquanto 615 doentes permanecem em isolamento ou hospitalizados.
O relatório indica ainda que a taxa de rastreio de contactos atingiu os 87,3% e que 180 pessoas recuperaram da doença desde o início da atual epidemia.
Perante o agravamento da situação, as autoridades congolesas apelam à população para continuar a adotar medidas de prevenção, nomeadamente lavar as mãos com frequência, evitar contactos de risco e seguir apenas as informações divulgadas pelas autoridades de saúde.
"O Governo exorta a população a aplicar as medidas de prevenção, lavar as mãos regularmente, limitar os contactos de risco e basear-se exclusivamente na informação oficial", refere o comunicado, alertando que "os rumores põem vidas em perigo".
Surto começou em maio e já ultrapassou fronteiras
O atual surto foi oficialmente declarado a 15 de maio, na província de Ituri, no leste da RDCongo, junto às fronteiras com o Uganda e o Sudão do Sul. Desde então, a doença alastrou também às províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
A propagação já ultrapassou as fronteiras congolesas. No Uganda, foram confirmados 20 casos, dos quais 15 são considerados importados da RDCongo, tendo sido registadas duas mortes.
Entretanto, as autoridades francesas confirmaram igualmente o primeiro caso positivo de Ébola em França, envolvendo um médico que regressou recentemente de uma missão humanitária na RDCongo.
Não existe vacina autorizada para esta estirpe
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o atual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%.
A OMS salienta que não existe atualmente uma vacina autorizada nem um tratamento específico para esta variante, motivo pelo qual considera elevado o risco de propagação na África Subsariana, embora classifique como baixo o risco à escala global.
A organização estima ainda que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto e classificou a epidemia, a 17 de maio, como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Já é a terceira pior epidemia de Ébola da história
O atual surto é já considerado a terceira pior epidemia de Ébola alguma vez registada, ficando apenas atrás da crise que afetou a África Ocidental entre 2014 e 2016, responsável por cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e da epidemia que atingiu o leste da RDCongo entre 2018 e 2020, que provocou 2.299 mortes e 3.481 infeções.
O vírus Ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode provocar uma doença grave caracterizada por febre hemorrágica, vómitos, diarreia e hemorragias internas, apresentando uma elevada taxa de mortalidade sem tratamento de suporte adequado