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O que começou com uma manhã de mergulho nas águas cristalinas da República Dominicana transformou-se, em poucas horas, numa corrida contra o tempo para mais de mil turistas. Enquanto as chamas consumiam parte de um dos mais conhecidos resorts da região, hóspedes eram evacuados, alguns apenas com a roupa que tinham no corpo, e aguardavam sem saber se voltariam a recuperar os seus pertences.
Entre os mais de mil hóspedes que se encontravam no complexo turístico estavam pelo menos 21 portugueses. O SOL conseguiu falar com uma das turistas que assistitu ao incêndio e que descreve momentos de incerteza e de pânico vividos durante a evacuação.
Do mergulho ao caos
Ana Janeiro Chaves, de nacionalidade portuguesa, encontrava-se no mar quando percebeu que algo estava errado. "Do barco vimos tudo.", começa por contar ao SOL.
A portuguesa explica que se encontrava numa atividade de mergulho quando, ao regressar à superfície, viu o fumo a sair do resort. Segundo relata, a intensidade do vento contribuiu para que as chamas se propagassem rapidamente por várias zonas do complexo.
"O vento soprava forte em direção a Bayahibe. Rapidamente se alastrou ao teatro, ao bar central e depois ao restaurante La Roca e Atlantis. No meio, os bungalows da área VIP começaram todos a arder.", descreveu Ana.
A turista acredita que o incêndio terá começado durante umas obras no telhado do lobby, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente.
Perante a propagação das chamas, os hóspedes começaram a ser retirados das zonas afetadas. "As pessoas foram evacuadas pela praia e pela zona central para o Palace", explica. Ana contou, ainda, que "o primeiro camião dos bombeiros estava avariado e por isso [e pelo vento] é que tudo foi tão rápido."
O regresso a terra foi marcado pela incerteza. Depois de sair do barco, Ana e os restantes turistas ficaram cerca de duas horas no pontão à espera de indicações. "Só tínhamos os fatos de banho por baixo dos fatos de mergulho, que tivemos de entregar, porque estavam a evacuar o centro de mergulho que contém oxigénio para as garrafas de ar e era muito perigoso.", relatou.
Enquanto aguardavam, o casal tentou recuperar bens essenciais. O marido de Ana correu até ao apartamento para retirar documentos e objetos importantes. "O meu marido correu até ao nosso apartamento para tirar passaportes e o computador. Tudo o resto ficou."
"Os nossos amigos americanos que estavam connosco no barco tinham perdido tudo. Centenas de pessoas estavam na mesma posição.", acrescentou.
Segundo a portuguesa, o ambiente que se vivia era de grande tensão. "Havia uma movimentação aterradora." E mesmo com várias zonas do resort afetadas, os funcionários tentavam responder às necessidades dos hóspedes evacuados repondo águas e alimentos, mas "as pessoas corriam como se fosse a última refeição."
Ana relata ainda momentos de desespero entre outros turistas que tiveram de abandonar o resort sem os seus pertences. "Argentinos que iam para o aeroporto, agarravam-se às toalhas de praia, pois era a única coisa que tinham."
Depois das chamas
Ao final do dia, o casal recebeu a indicação de que o quarto onde estava hospedado não tinha sido atingido pelo incêndio, mas apesar da boa notícia, o receio manteve-se, e por isso só regressaram ao quarto às duas da madrugada e confiaram "no alerta do hotel" caso algo acontecesse.
Na manhã seguinte, a dimensão dos estragos tornou-se mais evidente.
"Hoje acordámos e vimos o que restou. Ficámos nuns apartamentos nas franjas do Viva, perto do Palace, onde agora fazemos as refeições, mas tudo para lá da zona do trampolim ardeu."
Ana critica ainda a falta de acompanhamento por parte das entidades responsáveis pela viagem, porque para além de estar em viagem com o marido, está também acompanhada pela sua filha adolescente, de 13 anos. No entanto, mostra-se extremamente grata aos funcionários e à equipa do resort que tudo fizeram para superar a situação.
"Agradecemos a Deus que nada nos aconteceu e temos de congratular todos os funcionários e equipas do resort que fizeram de tudo para que nada saísse do controlo."
O casal mantém-se na República Dominicana e pretende continuar no destino até ao final das férias.
Ministério dos Negócios Estrangeiros está a acompanhar a situação
Recorde-se que o incêndio, que deflagrou esta sexta-feira no complexo turístico Viva Dominicus Beach by Wyndham, provocou uma vítima mortal, uma mulher de nacionalidade italiana de 46 anos e nove pessoas ficaram feridas. Foram ainda retiradas 1.700 pessoas do resort.