quarta-feira, 22 jul. 2026

"Só tínhamos os fatos de banho": portuguesa relata o momento em que as chamas tomaram conta do resort na República Dominicana

Pelo menos 21 portugueses estavam no resort atingido pelas chamas na República Dominicana. Uma turista portuguesa relatou ao SOL a evacuação, o caos entre hóspedes e a noite de incerteza após o incêndio.

O que começou com uma manhã de mergulho nas águas cristalinas da República Dominicana transformou-se, em poucas horas, numa corrida contra o tempo para mais de mil turistas. Enquanto as chamas consumiam parte de um dos mais conhecidos resorts da região, hóspedes eram evacuados, alguns apenas com a roupa que tinham no corpo, e aguardavam sem saber se voltariam a recuperar os seus pertences.

Entre os mais de mil hóspedes que se encontravam no complexo turístico estavam pelo menos 21 portugueses. O SOL conseguiu falar com uma das turistas que assistitu ao incêndio e que descreve momentos de incerteza e de pânico vividos durante a evacuação.

Do mergulho ao caos

Ana Janeiro Chaves, de nacionalidade portuguesa, encontrava-se no mar quando percebeu que algo estava errado. "Do barco vimos tudo.", começa por contar ao SOL.

A portuguesa explica que se encontrava numa atividade de mergulho quando, ao regressar à superfície, viu o fumo a sair do resort. Segundo relata, a intensidade do vento contribuiu para que as chamas se propagassem rapidamente por várias zonas do complexo.

"O vento soprava forte em direção a Bayahibe. Rapidamente se alastrou ao teatro, ao bar central e depois ao restaurante La Roca e Atlantis. No meio, os bungalows da área VIP começaram todos a arder.", descreveu Ana.

A turista acredita que o incêndio terá começado durante umas obras no telhado do lobby, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente.

Perante a propagação das chamas, os hóspedes começaram a ser retirados das zonas afetadas. "As pessoas foram evacuadas pela praia e pela zona central para o Palace", explica. Ana contou, ainda, que "o primeiro camião dos bombeiros estava avariado e por isso [e pelo vento] é que tudo foi tão rápido."

O regresso a terra foi marcado pela incerteza. Depois de sair do barco, Ana e os restantes turistas ficaram cerca de duas horas no pontão à espera de indicações. "Só tínhamos os fatos de banho por baixo dos fatos de mergulho, que tivemos de entregar, porque estavam a evacuar o centro de mergulho que contém oxigénio para as garrafas de ar e era muito perigoso.", relatou.

Enquanto aguardavam, o casal tentou recuperar bens essenciais. O marido de Ana correu até ao apartamento para retirar documentos e objetos importantes. "O meu marido correu até ao nosso apartamento para tirar passaportes e o computador. Tudo o resto ficou."

"Os nossos amigos americanos que estavam connosco no barco tinham perdido tudo. Centenas de pessoas estavam na mesma posição.", acrescentou.

Segundo a portuguesa, o ambiente que se vivia era de grande tensão. "Havia uma movimentação aterradora." E mesmo com várias zonas do resort afetadas, os funcionários tentavam responder às necessidades dos hóspedes evacuados repondo águas e alimentos, mas "as pessoas corriam como se fosse a última refeição."

Ana relata ainda momentos de desespero entre outros turistas que tiveram de abandonar o resort sem os seus pertences. "Argentinos que iam para o aeroporto, agarravam-se às toalhas de praia, pois era a única coisa que tinham."

Depois das chamas

Ao final do dia, o casal recebeu a indicação de que o quarto onde estava hospedado não tinha sido atingido pelo incêndio, mas apesar da boa notícia, o receio manteve-se, e por isso só regressaram ao quarto às duas da madrugada e confiaram "no alerta do hotel" caso algo acontecesse.

Na manhã seguinte, a dimensão dos estragos tornou-se mais evidente.

"Hoje acordámos e vimos o que restou. Ficámos nuns apartamentos nas franjas do Viva, perto do Palace, onde agora fazemos as refeições, mas tudo para lá da zona do trampolim ardeu."

Ana critica ainda a falta de acompanhamento por parte das entidades responsáveis pela viagem, porque para além de estar em viagem com o marido, está também acompanhada pela sua filha adolescente, de 13 anos. No entanto, mostra-se extremamente grata aos funcionários e à equipa do resort que tudo fizeram para superar a situação.

"Agradecemos a Deus que nada nos aconteceu e temos de congratular todos os funcionários e equipas do resort que fizeram de tudo para que nada saísse do controlo."

O casal mantém-se na República Dominicana e pretende continuar no destino até ao final das férias.

Ministério dos Negócios Estrangeiros está a acompanhar a situação

Recorde-se que o incêndio, que deflagrou esta sexta-feira no complexo turístico Viva Dominicus Beach by Wyndham, provocou uma vítima mortal, uma mulher de nacionalidade italiana de 46 anos e nove pessoas ficaram feridas. Foram ainda retiradas 1.700 pessoas do resort.