terça-feira, 21 jul. 2026

Sismos na Venezuela: Número de portugueses e lusodescendentes mortos sobe para 41. Há ainda 87 que estão incontactáveis

Novo balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros revela que entre as vítimas mortais estão seis crianças. Portugal já enviou uma equipa de 64 operacionais e 23 toneladas de ajuda humanitária para apoiar as operações de resgate.

A tragédia provocada pelos sismos na Venezuela continua a atingir a comunidade portuguesa no país. O número de portugueses e lusodescendentes mortos subiu para 41, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Além das vítimas mortais, há ainda 87 portugueses ou lusodescendentes desaparecidos ou incontactáveis. Do total, 51 são homens e 36 são mulheres. As autoridades já conseguiram localizar 49 pessoas que estavam dadas como desaparecidas.

Entre os 41 mortos estão 35 adultos e seis crianças. O balanço indica que 34 das vítimas são lusodescendentes, seis têm nacionalidade portuguesa e uma pessoa adquiriu nacionalidade portuguesa através de casamento.

O anterior balanço divulgado pelo MNE apontava para 36 portugueses e lusodescendentes mortos.

Portugal reforça missão de busca e salvamento na Venezuela

Enquanto cresce a preocupação entre as famílias portuguesas, a missão enviada por Portugal para apoiar as operações de emergência já chegou à Venezuela.

Os dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa que transportaram a equipa nacional aterraram em Maquetia, junto a La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos sismos.

A força conjunta portuguesa é composta por 64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, esta equipa reúne "capacidades especializadas em operações de busca e salvamento, recuperação de vítimas, resposta a catástrofes e apoio médico de emergência".

A bordo seguiram também cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo "equipamentos de proteção individual, material de busca e salvamento, equipamento médico, medicamentos, tendas, geradores, bens alimentares", destinados às populações afetadas.

Sismos deixam mais de 900 mortos e milhares de desaparecidos

A dimensão da tragédia na Venezuela continua a aumentar. O número de mortos provocados pelos dois fortes sismos que atingiram o norte do país já chegou aos 920, segundo as autoridades venezuelanas.

Há ainda mais de 50 mil pessoas dadas como desaparecidas, segundo informação divulgada pelo responsável da ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, citado pela agência AFP.

O responsável alertou que o número de vítimas mortais poderá "aumentar consideravelmente", perante uma "operação de resgate extremamente complexa".

Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, provocaram um cenário de destruição, sobretudo na região de La Guaira, onde vários edifícios ficaram reduzidos a escombros.

Famílias, moradores e voluntários continuam a pedir equipamentos especializados para remover blocos de pedra e cortar estruturas metálicas que dificultam o acesso às vítimas.

Novo abalo volta a assustar população venezuelana

A situação voltou a gerar preocupação na sexta-feira com um novo sismo de magnitude 5,4 na escala de Richter.

O abalo foi registado às 18h16 locais, 23h16 em Lisboa, junto à costa do estado de Arágua, a cerca de 44 quilómetros a norte de Maracay, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

O tremor foi sentido nos estados de Arágua, Carabobo, Miranda e La Guaira, além da zona da capital venezuelana.

Antes deste novo sismo, foi registado outro abalo de menor intensidade, de magnitude 2,9.

Até ao momento, não foram divulgados novos danos materiais ou vítimas associados a estes últimos tremores.

La Guaira mobiliza milhares de militares e polícias

Perante a dimensão da destruição, as autoridades venezuelanas reforçaram a presença de forças de segurança na região mais afetada.

A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou o envio de 14 mil soldados e polícias para La Guaira, uma zona que foi "militarizada para garantir a segurança".

As equipas de emergência continuam no terreno numa corrida contra o tempo para localizar sobreviventes e prestar assistência às populações atingidas pelos sismos.