sexta-feira, 13 mar. 2026

"Simplesmente absurdo e escandaloso”. Congressistas revelam que ficheiros Epstein incluem referências a menina de nove anos e a alto membro do governo

Esta semana, membros do Congresso tiveram acesso pela primeira vez a versões não censuradas dos arquivos, durante uma visita a instalações do Departamento de Justiça.
"Simplesmente absurdo e escandaloso”. Congressistas revelam que ficheiros Epstein incluem referências a menina de nove anos e a alto membro do governo

Novas informações sobre o escândalo do caso Epstein estão a provocar forte indignação nos Estados Unidos e a intensificar a pressão sobre as autoridades para que divulguem, sem restrições, todos os documentos relacionados com o caso.

Esta semana, dois congressistas norte-americanos — o republicano Thomas Massie e o democrata Ro Khanna — revelaram que os chamados "Arquivos Epstein" fazem referência a uma vítima com apenas nove anos de idade e mencionam ainda uma figura que ocupa “uma posição bastante elevada num governo estrangeiro”. As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa dedicada ao processo de divulgação dos ficheiros.

Os dois deputados têm liderado um esforço conjunto para garantir maior transparência, que levou à aprovação da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. No entanto, ambos consideram que o objetivo da legislação não está a ser cumprido. Segundo denunciaram, os documentos tornados públicos continuam a apresentar cortes extensos que impedem a compreensão total dos factos.

No final de janeiro, o Departamento de Justiça divulgou mais de três milhões de ficheiros relacionados com o caso, mas a maioria surgiu com grandes partes ocultadas - e ainda faltam mais três milhões. Massie revelou que um dos documentos analisados contém 18 partes censuradas, incluindo referências a vários homens nascidos antes de 1970, e voltou a pedir que o Governo reveja o processo de edição.

"Gostaria de dar ao Departamento de Justiça a oportunidade de admitir que cometeram um erro e que ocultaram informações em excesso, e permitir que eles revelem os nomes desses homens. Essa seria, provavelmente, a melhor maneira de resolver isto", disse Massie, citado pela CNN News.

Esta semana, membros do Congresso tiveram acesso pela primeira vez a versões não censuradas dos arquivos, durante uma visita a instalações do Departamento de Justiça, em Washington, no entanto apenas podiam levar consigo blocos de anotações, já que era proibida a posse de qualquer dispositivo eletrónico.

"O que me incomodou foram os nomes de pelo menos seis homens que foram omitidos e que provavelmente estão incriminados pela sua inclusão nesses arquivos”, explicou Massie, acrescentando que “foi preciso investigar bastante para os encontrar". No entanto, os congressistas não revelam nomes.

O deputado Jamie Raskin descreveu o conteúdo como “simplesmente absurdo e escandaloso”. “Ao ler estes ficheiros, depara-se com meninas de 15 anos, meninas de 14 anos, meninas de 10 anos. Hoje, vi uma menção a uma menina de nove anos”, afirmou.

Após a consulta dos documentos, Ro Khanna alertou também para as possíveis consequências internacionais do caso, sublinhando o impacto que poderá ter sobre a monarquia britânica. Para o congressista, o escândalo expõe “uma cultura de impunidade da elite” e demonstra a existência de uma "rede protegida de figuras influentes".

Khanna referiu ainda as ligações do ex-príncipe André a Epstein e os contactos com personalidades políticas como Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, defendendo que estas relações levantam sérias questões sobre responsabilidade e transparência. “Esta é a maior vulnerabilidade que a monarquia britânica já enfrentou”, afirmou, acrescentando que o rei Carlos III tem o dever de esclarecer também o que sabia sobre o caso.