"Senti que estava a morrer por dentro". Homem que prostituiu a mulher com mais de 500 homens condenado a 25 anos de prisão em França

Os crimes abrangem violação agravada, atos de tortura e proxenetismo, espancamentos, zoofilia, queimaduras, estrangulamento e escatologia.
"Senti que estava a morrer por dentro". Homem que prostituiu a mulher com mais de 500 homens condenado a 25 anos de prisão em França

O ex-bancário Gillaume Bucci, de 51 anos, foi condenado a 25 anos de prisão por violação agravada, atos de tortura e proxenetismo da sua ex-companheira, Laëtitia R..

Este é um caso que remete para a história de Gisèle Pélicot, vítima do marido que a drogava para permitir que dezenas de homens a agredissem enquanto permanecia inconsciente. A dimensão dos crimes e o impacto social do julgamento transformaram Pelicot num símbolo da luta contra a violência sexual.

No caso de Laëtitia R., que teve uma relação com o ex-banqueiro durante sete anos, foi provado que Bucci a submeteu a espancamentos, zoofilia, queimaduras, estrangulamento e escatologia. Além destes crimes, a mulher foi obrigada a prostituir-se. A vítima confessa que, após os 487 homens, "deixou de contar", relata o jornal francês Le Monde.

Em casos mais específicos, revelados pelo Le Parisien, Bucci obrigou a mulher a "lamber sanitas públicas e a beber da sua urina", agredindo-a com objetos como cintos, tábuas de cortar e cabos elétricos.

Como forma de tortura, submetia Laëtitia a privação de sono, com uma noite de descanso a cada 10 dias.

Durante uma semana, Guillaume tentou sair impune das acusações, alegando que os dois mantinham uma relação "sadomasoquista", que se baseia na troca de prazer e dor. A própria advogada de defesa, Arnaud Lucien, explicou que "os factos não são contestados, a questão é o consentimento", alegando que existiam mensagens do casal que "mostram que Laëtitia consentiu".

A vítima revelou que, além da violência e do medo que lhe era imposto todos os dias, tanto por ela, como pelos filhos, que estiveram presentes em tribunal, Guillaume começou, logo no início da relação, a obrigá-la a prostituir-se. No início pediu-lhe para ir a uma estação de serviço "oferecer-se a estranhos", enquanto ele ouvia pelo telefone. Daí, partiu para anos de sessões com estranhos - que terão sido cerca de 500.

“Aos poucos, senti que estava a morrer por dentro. A cada ato que me impunham, havia uma parte de mim que se partia para sempre. Não sabia como sair daquela situação. Pensava para mim mesma: se o fizer, talvez me afete menos”, testemunhou Laëtitia em lágrimas.

No entanto, após quatro horas de deliberação dentro do tribunal na última audiência, o arguido confessou os crimes.

De acordo com o relatório da investigação, o ex-casal ter-se-á conhecido em 2015, "sob o pretexto de jogos sexuais e sadomasoquistas", que a mulher consentiu inicialmente por achar que se tratariam de "palmadas” ou de “ser amarrada”, revela em tribunal. "Evoluiu para uma relação de controlo psicológico e controlo total do réu sobre a sua parceira", detalha o documento, citado pela imprensa local.

Laëtitia contou o que se passava pela primeira vez a um amigo, em 2022, que alertou as autoridades. De acordo com o advogado da vítima, esta sofre de sequelas físicas e fisiológicas "que a tornam incapaz de levar uma vida diária normal".