quinta-feira, 05 mar. 2026

Sem médicos, com apps e bancos de dadores: os riscos da inseminação caseira em Portugal

No Reino Unido, vendem-se kits de inseminação caseira. Nos Países Baixos há quem tinha 20 mil filhos. Em Portugal, é uma prática a ganhar expressão.
Sem médicos, com apps e bancos de dadores: os riscos da inseminação caseira em Portugal

Era uma prática comum noutros países, mas rapidamente chegou a Portugal. A chamada "inseminação caseira" está a ganhar dimensões em Portugal: mas os especialistas alertam para os perigos e implicações legais desta prática sem vigilância médica.

Uma investigação SIC revelou que as longas listas de espera e os custos dos tratamentos de fertilidade são os maiores motivos de quem recorre a estas alternativas.

Entre as possibilidades está, por exemplo, o Cryos - um "banco de esperma", sediado na Dinamarca. De um catálogo extenso de dadores, com descrições detalhadas e árvore genealógica, a mulher pode escolher de quem terá o filho, sendo sempre exigido exames ao dador para garantir segurança à mulher. O preço vai de 100 a 700 euros por amostra.

Outra opção funciona como a aplicação de encontros "Tinder". Homens e mulheres que queiram ter filhos podem entrar nestas aplicações, aceder (ou não) a exames médicos de outros voluntários, e partir para um contacto mais próximo com o/a eleito/a. O contacto vai desde relações sexuais até àquilo que a investigação SIC designa por "método do copinho". Este método é a verdadeira "inseminação caseira": a mulher utiliza o sémen do dador depositado num copo e insere-o através de uma seringa ou de um coletor menstrual.

Mas estes métodos têm causado casos insólitos. De acordo com a SIC, um dos casos mais mediáticos aconteceu nos Países Baixos. Um dador, proibido pelo tribunal em 2017 de continuar a ser voluntário, continuou a fazer doações até 2023. O resultado? Tem mais de 20 mil filhos em vários países.

Há também casos que evidenciam os riscos da falta de vigilância profissional. Um dador de esperma dinamarquês transportava uma mutação genética rara que pode causar cancro. O banco de esperma vendeu as suas amostras durante mais de 15 anos sem que nunca soubessem (nem mesmo o dador) desta mutação. Tornou-se pai de quase 200 crianças. Quando soube da situação, o banco bloqueou a utilização das colheitas - mas já era tarde.

Em Portugal, é uma prática ainda a ganhar dimensão, mas já há registo de centenas de homens a oferecer o seu sémen a mulheres através de grupos nas redes sociais criados com esse propósito.

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