Satélite da NASA com 600 quilos está a cair em direção à Terra. É hoje à noite

A sonda Van Allen Probe A reentra na atmosfera depois de 14 anos no espaço.
Satélite da NASA com 600 quilos está a cair em direção à Terra. É hoje à noite

Às 23h45 de hoje, hora de Lisboa (hora prevista), um satélite da NASA com 600 quilos vai reentrar na atmosfera terrestre. Não é ficção científica. É o desfecho natural de uma missão que começou em agosto de 2012 e terminou, tecnicamente, em 2019.

O satélite chama-se Van Allen Probe A. Foi lançado a par do seu gémeo, a Van Allen Probe B, com a missão de estudar os cinturões de radiação que envolvem a Terra. Durante sete anos, as duas sondas acumularam dados que nenhuma outra nave tinha recolhido com aquele nível de detalhe. Depois, em 2019, o propelente esgotou-se. A missão encerrou. As sondas ficaram à deriva.

O sol apressou o fim

Quando os cientistas calcularam pela primeira vez a trajetória de decaimento da Van Allen Probe A, estimaram que ficaria em órbita até cerca de 2034. O sol tinha outros planos.

Em 2024, o astro atingiu o seu máximo solar, o pico de uma fase de atividade intensa que ocorre a cada 11 anos. As ejeções de plasma e as tempestades solares fizeram a atmosfera terrestre expandir-se para altitudes mais elevadas. Essa expansão gerou maior resistência atmosférica sobre satélites em órbita baixa e, aos poucos, foi puxando a sonda para baixo, antecipando a queda em quase uma década.

O que vai acontecer

A NASA e a Força Espacial dos Estados Unidos estão a monitorizar a trajetória em tempo real. A agência espacial prevê que a maior parte da sonda se desintegre durante a reentrada, consumida pelo calor da fricção com a atmosfera. Ainda assim, alguns componentes deverão sobreviver ao percurso e atingir a superfície.

A probabilidade de um fragmento atingir uma pessoa é de aproximadamente 1 em 4200. Um número baixo, mas não zero. A vasta extensão dos oceanos, que cobrem cerca de 70% da superfície terrestre, torna um impacto no mar o cenário mais provável.

A Van Allen Probe B, a sonda gémea, permanece em órbita e não deverá reentrar antes de 2030.

Lixo espacial, um problema crescente

Este episódio não é isolado. O número de satélites em órbita aumentou de forma exponencial nos últimos anos, em grande parte impulsionado pelas constelações da SpaceX. Especialistas alertam que a gestão dos detritos espaciais vai tornar-se um dos maiores desafios da exploração do espaço nas próximas décadas.

Por agora, os olhos estão postos no céu desta noite.