quarta-feira, 22 jul. 2026

Sánchez admite “caso grave de corrupção” no PSOE, mas recusa eleições antecipadas

Pedro Sánchez reconheceu pela primeira vez um “caso flagrante e grave de corrupção” envolvendo antigos dirigentes do PSOE, mas garantiu que continuará a governar. O líder da oposição acusou-o de ser o “elo político corrupto” e voltou a exigir eleições antecipadas
Sánchez admite “caso grave de corrupção” no PSOE, mas recusa eleições antecipadas

O primeiro-ministro espanhol reconheceu esta quarta-feira no Parlamento a existência de um “caso flagrante e grave de corrupção” envolvendo antigos dirigentes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), mas garantiu que desconhecia os factos investigados e reiterou que não pretende demitir-se nem convocar eleições antecipadas.

Durante uma sessão parlamentar dedicada às mais recentes investigações judiciais que envolvem figuras próximas do partido no poder, Pedro Sánchez admitiu que algumas pessoas "se aproveitaram do peso que tinham no PSOE e no Governo para ganhar dinheiro", sublinhando, contudo, que não existem indícios de financiamento ilegal do partido.

“Nunca conheci nem teria tolerado nenhuma destas práticas”, afirmou o líder socialista.

As declarações surgem na sequência da condenação do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos a mais de 24 anos de prisão por corrupção relacionada com contratos de aquisição de máscaras durante a pandemia de covid-19.

O processo deu origem a outras investigações, incluindo o chamado "caso Koldo", que envolve também Santos Cerdán, antigo dirigente socialista e considerado um dos mais próximos colaboradores de Sánchez.

O primeiro-ministro garantiu que o PSOE atuou desde o primeiro momento perante as suspeitas, suspendendo ou expulsando os envolvidos e reforçando os mecanismos internos de supervisão e prevenção da corrupção.

“Queremos que seja feita justiça e queremos que aqueles que mancharam o bom nome do Partido Socialista e do meu Governo paguem o preço”, declarou.

Sánchez defende mulher, irmão e Zapatero

No discurso, Sánchez voltou a separar os processos relacionados com antigos dirigentes socialistas das investigações que envolvem a sua mulher, Begoña Gómez, e o seu irmão, David Sánchez.

Segundo o chefe do Governo espanhol, ambos são alvo de campanhas de desinformação promovidas por grupos ligados à extrema-direita e por setores políticos interessados em enfraquecer o Executivo.

O primeiro-ministro recordou que o Ministério Público considerou não existirem fundamentos para uma acusação contra ambos e salientou que relatórios policiais e judiciais contrariaram várias das alegações divulgadas publicamente.

Sánchez saiu também em defesa do antigo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, atualmente investigado por alegado tráfico de influências e branqueamento de capitais no âmbito do processo relacionado com o resgate público da companhia aérea Plus Ultra.

“O resgate foi legal e transparente”, afirmou, acrescentando que a investigação se encontra ainda numa fase inicial e que mantém total confiança na inocência do ex-líder socialista.

Feijóo acusa Sánchez de ser “a cara da corrupção”

A intervenção de Pedro Sánchez foi duramente contestada pelo líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, que acusou o primeiro-ministro de estar politicamente ligado aos diversos escândalos que afetam o PSOE.

“Tu és o elo político corrupto”, declarou Feijóo no Parlamento, numa das intervenções mais agressivas desde o início da legislatura.

O líder da oposição enumerou as investigações em curso envolvendo figuras próximas do primeiro-ministro, referindo buscas em ministérios, alegados esquemas de subornos e outros casos sob investigação judicial.

“Não faz diferença se sabia de tudo ou apenas de parte. Aqueles que cometeram crimes à sua volta fizeram-no porque o conheciam”, afirmou.

Feijóo voltou a exigir a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas, acusando Sánchez de tentar vitimizar-se e de não assumir responsabilidades políticas.

Oposição pede moção de censura, mas não tem maioria

Apesar das críticas, o líder do Partido Popular continua sem avançar para uma moção de censura, por não reunir apoio parlamentar suficiente para derrubar o Governo.

Ainda assim, insistiu que o executivo socialista perdeu legitimidade política para continuar em funções.

Pedro Sánchez rejeitou os apelos à demissão e garantiu que pretende cumprir a legislatura até ao fim, mantendo as eleições legislativas dentro do calendário previsto para 2027.

O primeiro-ministro denunciou ainda aquilo que considera ser uma tentativa de criar uma perceção de corrupção generalizada em Espanha.

“Nas últimas semanas, o debate público foi inundado por notícias judiciais misturadas com rumores, meias-verdades e notícias falsas. Há quem tente criar uma sensação de corrupção generalizada que simplesmente não existe”, afirmou.

A crise política em Espanha intensificou-se nas últimas semanas e promete continuar a dominar o debate público à medida que avançam as investigações judiciais relacionadas com antigos dirigentes socialistas e figuras próximas do chefe do Governo.