sexta-feira, 12 jun. 2026

Salários em atraso na Rússia disparam com guerra na Ucrânia e atingem máximo desde 2016

Os salários em atraso na Rússia mais do que duplicaram em 2025, atingindo níveis recorde desde há dez anos. A guerra na Ucrânia e a desaceleração económica estão a agravar a crise financeira no país
Salários em atraso na Rússia disparam com guerra na Ucrânia e atingem máximo desde 2016

Os salários em atraso na Rússia mais do que duplicaram nos últimos anos devido ao impacto económico da guerra na Ucrânia, ultrapassando os dois mil milhões de rublos - cerca de 24 milhões de euros.

Segundo dados divulgados esta sexta-feira pela agência estatal de estatísticas Rosstat, citados pela agência espanhola EFE, cerca de 14.700 trabalhadores russos não receberam os salários atempadamente em dezembro de 2025.

O número representa mais 6.500 trabalhadores afetados face ao mesmo período de 2024.

Segundo a Rosstat, o montante total dos salários em atraso aumentou em 1.134 milhões de rublos, aproximadamente 13 milhões de euros, registando o valor mais elevado desde 2016.

O agravamento anual atingiu os 127%, o maior aumento dos últimos 20 anos de registos estatísticos da entidade russa, superando inclusivamente os níveis observados durante a crise financeira global de 2009.

A Rosstat refere que 87% dos atrasos salariais resultam da falta de recursos financeiros por parte de empregadores privados.

Os restantes 13% estão associados a empresas estatais e a dificuldades orçamentais das administrações regionais russas.

Perante a deterioração financeira das regiões, Anton Siluanov anunciou o perdão de dívidas orçamentais de 68 das 89 regiões russas, num valor total de 440 mil milhões de rublos, cerca de 5,3 mil milhões de euros.

A economia russa enfrenta crescentes dificuldades no quinto ano da guerra lançada pelo Presidente Vladimir Putin contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

No final de 2025, a região siberiana de Iacútia tornou-se a primeira do país a admitir a suspensão de pagamentos a militares russos devido à falta de fundos.

Segundo os dados oficiais, metade das regiões russas registam atualmente salários em atraso, com destaque para Krasnodar, Cacássia, Nijni Novgorod, Tver e Vologda.

Especialistas citados pela imprensa russa apontam a desaceleração económica e as elevadas taxas de juro impostas pelo banco central russo como principais causas da situação.

As taxas elevadas têm dificultado o acesso das empresas a crédito de curto prazo para financiamento de tesouraria.

Apesar de a legislação russa prever multas e até penas de prisão para administradores responsáveis por incumprimentos salariais, os casos continuam a aumentar.

Na região mineira de Kuzbass, na Sibéria, uma empresa do setor do carvão acumula dívidas superiores a 256 milhões de rublos, cerca de três milhões de euros, aos trabalhadores.

A União Europeia, os Estados Unidos e outros aliados de Kiev mantêm sucessivos pacotes de sanções económicas contra Moscovo, numa tentativa de limitar a capacidade da Rússia de financiar o esforço militar na Ucrânia