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O embaixador russo em Portugal, Mikhail Kamynin, rejeitou esta quinta-feira as acusações dirigidas a Moscovo na sequência da tentativa de ataque com drones contra o aeroporto de Leipzig, na Alemanha.
O diplomata foi convocado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, depois de o Governo alemão ter responsabilizado a Rússia pelos incidentes registados em agosto naquele aeroporto.
Segundo um comunicado divulgado pela embaixada russa em Lisboa, o chefe da missão diplomática “rejeitou as acusações dirigidas às estruturas estatais russas sobre ataques híbridos” e sublinhou que, segundo Moscovo, não foram apresentadas provas do envolvimento da Rússia.
A representação diplomática considerou ainda que o caso contribui para uma “maior deterioração das relações entre Moscovo e a União Europeia”, sustentando que essa evolução serve “os interesses do regime de Kiev”.
A reunião entre Mikhail Kamynin e a diretora-geral da Política Externa, Helena Malcata, realizou-se depois de o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, ter anunciado a convocação do embaixador russo.
Alemanha responsabiliza Moscovo pelos incidentes
Em causa está uma tentativa de ataque com drones registada no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, durante o mês de agosto.
Na noite de 4 de agosto, um drone carregado com explosivos foi encontrado na zona de operações de carga, nas proximidades de vários aviões de carga ucranianos. Pouco depois, um segundo aparelho terá atingido uma aeronave da transportadora DHL.
Dez dias mais tarde, os investigadores encontraram um terceiro drone num campo em Kabelsketal, no estado da Saxónia-Anhalt, junto à zona ocidental do aeroporto.
De acordo com a investigação alemã, os incidentes terão ligação aos serviços secretos russos, uma acusação que Moscovo rejeita.
Nenhum dos drones explodiu e não foram registados feridos.
O aeroporto de Leipzig é um dos principais centros europeus de transporte de carga e tem sido utilizado como ponto de trânsito para o envio de ajuda militar destinada à Ucrânia.
Portugal e outros países convocaram representantes russos
Na sequência das acusações alemãs, vários países da União Europeia, entre os quais Portugal, condenaram o alegado ataque e convocaram representantes diplomáticos russos.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, classificou o incidente como “terrorismo patrocinado por um Estado”.
Também o Reino Unido convocou o encarregado de negócios da Rússia para condenar o que descreveu como mais um episódio de atividade hostil russa na Europa.
Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico afirmou que Londres continuará, juntamente com os parceiros europeus e da NATO, a denunciar as ações que considera ameaças à segurança coletiva.
Moscovo responde com medidas contra instituições alemãs
As tensões entre Berlim e Moscovo agravaram-se depois de a Alemanha anunciar, como medida de retaliação, o encerramento do consulado-geral russo em Bona e de um centro cultural russo em Berlim.
Em resposta, a Rússia anunciou o encerramento de todas as filiais do Instituto Goethe no país.
O Presidente russo, Vladimir Putin, associou as acusações alemãs à situação política interna da Alemanha, enquanto Moscovo insiste que Berlim não apresentou provas do envolvimento russo na alegada operação.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Alemanha e outros países europeus têm acusado repetidamente Moscovo de estar envolvido em operações de espionagem, sabotagem e outras ações de desestabilização nos seus territórios.