quinta-feira, 16 abr. 2026

Rússia intensifica guerra com número recorde de drones contra a Ucrânia em março

Mais de 6.400 drones lançados num mês marcam nova escalada do conflito, apesar de negociações estagnadas

A Rússia lançou em março um número recorde de drones contra a Ucrânia desde o início da guerra, em 2022, numa escalada significativa da ofensiva aérea. De acordo com a Agence France-Presse (AFP), e segundo uma análise baseada em dados oficiais ucranianos.as forças russas dispararam 6.462 drones num só mês, incluindo um ataque sem precedentes a 24 de março, quando foram lançados cerca de 1.000 drones em apenas 24 horas.

Em contrapartida, o número de mísseis utilizados diminuiu face a fevereiro, passando de 288 para 138, o que sugere uma mudança de estratégia militar por parte de Moscovo, apostando cada vez mais em drones.

Apesar de a defesa aérea ucraniana ter conseguido intercetar cerca de 90% dos ataques, os bombardeamentos continuaram a provocar vítimas civis, incluindo em zonas afastadas da linha da frente.

Um dos episódios mais graves ocorreu a 24 de março, quando drones atingiram o centro histórico de Lviv, classificado como Património Mundial pela UNESCO, causando oito mortos e dezenas de feridos.

Num novo ataque de grande escala, registado na quarta-feira, foram lançados 700 drones em 24 horas, mais de metade durante o dia.

Moscovo mantém que apenas atinge alvos militares e industriais, mas Kiev acusa a Rússia de visar deliberadamente infraestruturas civis.

Zelensky denuncia ataques e impasse diplomático

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou que os ataques “visam puramente instalações civis” e considerou que representam uma resposta direta aos esforços diplomáticos de Kiev.

A ofensiva surge após a Rússia ter rejeitado uma proposta de trégua para a Páscoa apresentada por Zelensky, num contexto em que as negociações, mediadas pelos EUA estão atualmente suspensas.

O impasse diplomático agravou-se após o eclodir de um novo conflito no Médio Oriente, envolvendo os EUA, Israel e o Irão, que desviou a atenção estratégica de Washington.

Apesar do contexto adverso, Zelensky revelou ter mantido contactos com responsáveis internacionais, incluindo o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e enviados norte-americanos.

Segundo o líder ucraniano, houve acordo para reforçar garantias de segurança para o período pós-guerra, numa tentativa de manter aberto um canal diplomático.