As forças russas anunciaram esta segunda-feira ter abatido um drone de reconhecimento português Tekever AR3, utilizado pelas forças ucranianas, e afirmaram que o aparelho será agora alvo de análise por especialistas militares para estudar a sua tecnologia.
Segundo a agência oficial russa Tass, o drone foi intercetado na região fronteiriça de Briansk por um batalhão especializado em combate a veículos aéreos não tripulados.
De acordo com um comandante da unidade, citado pela agência, os militares russos ficaram surpreendidos com o equipamento.
"Nunca tínhamos visto nada assim antes. Quando chegámos ao local do acidente, descobrimos que era um drone de reconhecimento português", afirmou.
A mesma fonte indicou que o aparelho será enviado para um instituto de investigação militar, onde serão analisados o design, as especificações técnicas e as soluções de engenharia utilizadas no sistema.
Interceção terá durado cerca de 30 minutos
Segundo o relato divulgado pela Tass, o drone voava a uma altitude próxima dos 2.500 metros e a uma velocidade entre os 90 e os 100 quilómetros por hora.
Os militares russos afirmam que a perseguição durou cerca de meia hora e que conseguiram intercetar o aparelho pouco antes de esgotar a bateria do sistema antidrones utilizado.
Apesar da operação, a fuselagem e grande parte do equipamento eletrónico terão permanecido intactos, ficando apenas o motor danificado, segundo a versão apresentada pelas autoridades russas.
Até ao momento, nem a Ucrânia nem a empresa portuguesa Tekever comentaram estas alegações, que não puderam ser verificadas de forma independente.
Tekever fornece drones à Ucrânia desde 2023
A Tekever passou a fornecer drones à Ucrânia em 2023, através do Fundo Internacional para a Ucrânia (IFU), liderado pelo Reino Unido, para apoiar operações de vigilância terrestre e marítima.
Na altura, o presidente executivo e cofundador da empresa, Ricardo Mendes, afirmou que a tecnológica portuguesa estava "muito orgulhosa" por contribuir para o esforço de defesa ucraniano, sublinhando que as equipas trabalhavam continuamente para adaptar os sistemas às exigências do campo de batalha.
O modelo AR3 é um drone de reconhecimento de longa duração, capaz de permanecer até 16 horas em voo e de operar com diferentes configurações de sensores consoante a missão.
Tekever reforça presença internacional
A notícia surge pouco depois de a Tekever anunciar um dos maiores contratos da sua história com o Ministério da Defesa do Reino Unido.
O acordo, com um valor potencial de até 467 milhões de euros ao longo de dez anos, prevê o fornecimento do drone AR5 para o programa Corvus, destinado a reforçar as capacidades de vigilância e reconhecimento do Exército britânico.
Segundo a empresa, os drones AR5 já acumulam mais de 50 mil horas de voo em operações na Ucrânia, experiência que tem servido para aperfeiçoar continuamente os sistemas autónomos desenvolvidos pela tecnológica portuguesa.
Com mais de 1.500 colaboradores e operações em Portugal, Reino Unido, França, Estónia, Ucrânia e Estados Unidos, a Tekever é atualmente um dos principais fornecedores europeus de sistemas autónomos para defesa e segurança baseados em inteligência artificial.