Rússia confirma escolta de petroleiros perto do Reino Unido e denuncia “atos de pirataria”

Estes navios são frequentemente associados à chamada “frota fantasma” russa — uma rede de embarcações registadas fora da Rússia e utilizada para contornar as sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia
Rússia confirma escolta de petroleiros perto do Reino Unido e denuncia “atos de pirataria”

A Rússia confirmou esta quinta-feira que um navio da sua Marinha de Guerra escoltou vários petroleiros russos nas proximidades das águas territoriais do Reino Unido, numa altura de crescente tensão no Atlântico e no Canal da Mancha.

O porta-voz do Kremlin afirmou que Moscovo tem o direito de proteger os seus interesses económicos e comerciais. “A Rússia tem o direito de defender os seus navios”, declarou Dmitri Peskov, referindo-se a alegados incidentes recentes em águas internacionais.

Segundo Peskov, nos últimos meses terão ocorrido “atos de pirataria” que afetaram navios associados à Federação Russa, incluindo cargueiros a operar sob bandeiras de países terceiros.

Estes navios são frequentemente associados à chamada “frota fantasma” russa — uma rede de embarcações registadas fora da Rússia e utilizada para contornar as sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia.

De acordo com o jornal The Telegraph, a fragata Almirante Grigorovich, pertencente à Frota do Mar Negro, escoltou dois petroleiros — “Universal” e “Enigma” — no Canal da Mancha.

Durante a operação, o navio russo foi acompanhado de perto pelo Tideforce, da Marinha britânica, evidenciando o nível de vigilância e tensão entre os dois países.

Reino Unido aperta controlo sobre “frota fantasma”

A escolta surge poucas semanas depois de Londres ter endurecido a sua posição. A 26 de março, o Governo britânico autorizou a interceção e inspeção de embarcações suspeitas de integrarem a “frota fantasma” russa em águas territoriais britânicas.

Segundo as autoridades do Reino Unido, cerca de 75% do crude russo é transportado por esta rede, que inclui centenas de navios. Londres já sancionou 544 embarcações, numa tentativa de limitar uma importante fonte de financiamento da máquina de guerra de Vladimir Putin.

O executivo britânico defende que o controlo apertado das rotas marítimas, incluindo no Canal da Mancha, obriga estes navios a optar por percursos mais longos e dispendiosos ou a enfrentar o risco de interceção.

A medida terá levado a “frota fantasma” a evitar temporariamente o Canal da Mancha, segundo vários meios de comunicação europeus. No entanto, o recente episódio com escolta militar russa indica uma possível mudança de estratégia por parte de Moscovo.

O incidente reforça o clima de tensão nas rotas marítimas europeias, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e pelo reforço das sanções ocidentais à economia russa.